Quem tem um iPad ou um Mac com o processador M4 sabe perfeitamente que a máquina voa baixinho. A Apple tem talento a sério para desenhar processadores. Mas, também gosta de “cortar” certas coisas.
Ou seja, a Apple passa a vida a gabar o poder do seu Neural Engine para tarefas de Inteligência Artificial, mas a verdade é que a gigante de Cupertino colocou uma coleira bem apertada neste chip.
Por definição, o motor neural da Apple só serve para “inferência”, ou seja, serve para correres modelos de IA que já vêm prontos e treinados de fábrica. Mas, nunca para treinares os teus próprios modelos. Só que a internet não perdoa e um especialista em cibersegurança decidiu fazer engenharia inversa ao SoC para deitar abaixo as restrições da marca.
Sem CoreML, sem Metal e tudo a correr na RAM
Portanto, o programador conhecido como @0x0SojalSec partilhou o código no GitHub e revelou ao mundo como conseguiu saltar por cima das barreiras de software da Apple e extrair uns brutais 15,8 TFLOPS de poder de processamento bruto diretamente para treino de IA. É uma loucura completa!
O que torna esta proeza genuinamente impressionante é o facto de o hacker ter ignorado por completo todas as ferramentas oficiais da Apple. Ou seja, ele não usou CoreML, nem a API gráfica Metal. De facto, nem sequer foi tocar no poder da placa gráfica (GPU).
Como a Apple bloqueia o acesso direto ao silício a nível de permissões, o programador criou uma linguagem intermédia personalizada (MIL – Model Intermediate Language) desenvolvida do zero para conseguir “falar” diretamente com o motor neural.
Entretanto, para garantir que o processo corria de forma fluida e super rápida, todo o treino de IA foi programado para acontecer diretamente na memória RAM, sem escrever uma única linha no armazenamento NAND flash do iPad ou do Mac, que seria manifestamente mais lento. Além disso, para evitar que o sistema fosse abaixo quando o hardware “bloqueado” ficasse saturado, a sua linguagem personalizada recorre ao comando “exec()” para reiniciar o estado do treino em tempo real sempre que necessário, mantendo o processo contínuo sem qualquer crash.
Conclusão
Obviamente, isto é território de pirataria e engenharia inversa pura e dura. Por isso, a Apple deverá fechar este buraco num piscar de olhos com uma atualização de segurança futura. No entanto, fica o aviso para o mercado e a curiosidade. Afinal, se isto é possível de se fazer no processador M4. Imagina só o nível de performance oculta que estará prestes a ser descoberto no futuro em chips como o atual M5.




