Sabias que as Presidenciais já mexem dezenas de milhões em apostas? É verdade, e é até um bocadinho preocupante. Até porque é ilegal.
Se achavas que as presidenciais portuguesas só estavam a ser disputadas em debates, sondagens e redes sociais, pensa outra vez. Há uma corrida paralela a acontecer, silenciosa, digital e cheia de dinheiro envolvido.
Aliás, de certa forma, também serve como sondagem. Isto porque… Mais de 90 milhões de euros já foram movimentados em apostas sobre quem vai ocupar Belém. Tudo feito através da plataforma Polymarket.
Apostas políticas? Em Portugal, não pode ser
Portanto, vamos começar pelo básico. Em Portugal não é legal apostar em eleições.

Só são permitidas apostas desportivas, jogos de fortuna ou azar e pouco mais. Política não entra na equação. Além disso, qualquer plataforma que queira operar cá tem de ter licença do regulador.
A Polymarket não tem.
Ainda assim, o site continua acessível em Portugal, ao contrário do que acontece em países como França, Alemanha ou Reino Unido, onde já foi bloqueado.
Como funciona?
O conceito da Polymarket é simples e perigoso ao mesmo tempo.
Não são apostas tradicionais. É um mercado de previsões em criptomoedas. Compras posições de “sim” ou “não” sobre um evento. Quem acerta no desfecho, ganha. Quem falha, perde.
No caso das presidenciais portuguesas, já existem 15 mercados diferentes, desde quem ganha a eleição até quem vence a primeira volta.
Isto reflete a vontade dos eleitores?
Sim, mas também não. E este é um ponto importante.
Vários politólogos explicam que estes mercados não são sondagens. São apostas. Refletem expectativas de quem investe dinheiro, muitas vezes influenciadas por sondagens, escândalos mediáticos ou notícias de última hora.
Entretanto, é possível ver algumas das tendências. Mas seria errado levar isto como uma sondagem mais a sério.
Manipulação política? O risco existe
Há quem diga que mercados com esta escala podem sofrer manipulação. Sobretudo porque não há transparência sobre quem aposta, com que informação e com que objetivos. Entretanto, outros defendem o contrário. Isto porque com tanto dinheiro envolvido, tentar manipular seria caro, arriscado e pouco eficaz.
Em suma, há uma coisa que parece consensual. Transformar eleições em ativos financeiros muda o foco.

