Anúncios no ecrã do teu carro? É uma coisa que não faz qualquer sentido. Mas, na BMW, isso aconteceu. Foram anúncios do Homem-Aranha.
Se achavas que comprar um carro de luxo por várias dezenas de milhares de euros te garantia sossego e imunidade a coisas sem sentido. Bem… a BMW acaba de te dar uma chapada de realidade.
Ou seja, numa jogada inacreditável de monetização pós-venda, a marca alemã começou a empurrar anúncios do novo filme do Homem-Aranha diretamente para o ecrã central dos carros dos clientes. Imagina acordares às 7h cheio de sono, depois de uma noite mal dormida, lavar a cara, tomar banho, comer uma peça de fruta para depois ir trabalhar… Apenas para dar à chave do teu carro e ser brindado com um banner promocional antes de conseguires sequer meter a marcha atrás.
Não faz qualquer sentido.
Curiosamente, há menos de três anos, os executivos da BMW garantiam a pés juntos que o interior do automóvel era um “espaço privado”. Ou seja, nunca venderiam o ecrã do quadrante para passar anúncios. Pois bem, as promessas no mundo automóvel moderno valem… Perto de zero.
“Espaço privado” transformado num outdoor com rodas!

Portanto, segundo o que sabemos, a campanha está ativa em mais de 70 países e afeta praticamente todos os modelos da BMW produzidos desde julho de 2020 que corram o sistema operativo da marca a partir da versão 7.
O que acontece?
Simples. Ao ligar o carro, surge um banner no ecrã de controlo e, se o condutor cometer o erro de lhe tocar, o veículo dispara uma animação em ecrã inteiro do Homem-Aranha, acompanhada por música nos colunas e um espetáculo de luzes sincronizado no sistema de iluminação ambiente do habitáculo.
A BMW afirma que é uma “parceria especial e temporária” para celebrar o lançamento do filme “Spider-Man: Brand New Day”. Mas… É feio.
Não estamos a falar de uma aplicação gratuita no telemóvel nem de um serviço de streaming de dois euros. Trata-se de um bem privado pago a peso de ouro pelo consumidor, onde a BMW decidiu, de forma unilateral, vender a atenção do condutor a uma gestora de conteúdos de Hollywood. Sem autorização.
Depois dos bancos aquecidos por subscrição… A BMW continua a querer mais dinheiro. Der por onde der.
Esta atitude não apareceu do nada.
Todos nos lembramos do fiasco em que a BMW tentou cobrar uma subscrição mensal para ativar os bancos aquecidos, entre outras funcionalidades. Relembramos que estas funcionalidades já existiam no carro. O que claro está, não correu muito bem.
Agora, a estratégia de tentar “sacar” mais algum dinheiro ao cliente depois da compra muda de figura: em vez de cobrar pelo uso das peças, vende a interface do utilizador como espaço publicitário.
Afinal, se isto resultar bem, vai acontecer mais vezes. É assim que as coisas acabam por funcionar no mercado.
É estranho. As atualizações remotas (OTA) foram vendidas ao público como uma ferramenta fantástica para corrigir erros e trazer melhorias ao veículo sem ir à oficina. No entanto, a indústria automóvel está a transformar esta ligação à internet num portal para impingir publicidade e controlar o que podes ou não ver dentro do teu próprio automóvel. Hoje é uma animação opcional do Homem-Aranha. Amanhã vai ser um anúncio de pizas antes de te deixarem ligar o ar condicionado.
Aceitarias ver anúncios no ecrã do teu carro em troca de atualizações de software ou achas uma falta de respeito absoluta por parte das marcas? Deixa a tua opinião na caixa de comentários em baixo.








