Não é a primeira vez que falamos deste assunto. Entras no carro, sentas-te ao volante, metes a rota no Google Maps ou no Waze, metes a tocar aquela playlist no Spotify e segues viagem. É normal, e a comodidade do Android Auto é inegável, quer seja para ir buscar um café à esquina ou para meter a família na autoestrada rumo a um fim de semana fora.
Mas, há um problema gravíssimo, especialmente se andas a usar Android Auto sem fios.
Muitos condutores assumem que a culpa é do carro ou de alguma atualização manhosa da Google. A realidade é bem mais simples e crua. O teu automóvel é apenas um ecrã burro, e o pobre do teu smartphone está a ser espremido até ao tutano para manter tudo a funcionar.
O smartphone sua, e não é pouco.
Quando ligas o Android Auto, a central multimédia do teu carro não processa praticamente nada. Quem faz o trabalho pesado de renderizar a interface, calcular rotas, descodificar streaming de música com boa fidelidade e manter os microfones em escuta ativa para comandos de voz é o chip do teu telefone. É uma carga brutal de multitarefa que nunca descansa enquanto o motor estiver a trabalhar.
Pior do que o processamento puro é a tortura a que sujeitas as antenas.
Andar na estrada a 100 km/h ou 120 km/h obriga o modem 4G/5G a uma ginástica constante, largando antenas com sinal fraco para agarrar a próxima torre antes que a ligação caia. Esta busca permanente por rede consome rios de energia. Além disso, tens de juntar ainda o GPS, que não ajuda nada à festa.
Mas, o maior problema é usar tudo isto sem fios. O telefone passa a debitar uma rede Wi-Fi direta de alta velocidade para a viatura a empurrar dados sem parar, transformando-se num autêntico hotspot com prazo de validade curtíssimo.
Depois temos o problema do sol em cima do telemóvel. Dos carregamentos quentes, etc…
Se as tarefas de software já metem o hardware a ferver, o ambiente dentro da cabine do carro não ajuda nada. Onde é que a malta costuma meter o telemóvel? Quase sempre espetado num suporte magnético no vidro da frente ou nas grelhas da sofagem, em pleno contacto com o sol que bate sem dó nem piedade.
O calor interno gerado pelo processador e o calor externo do sol criam a tempestade perfeita para o desgaste acelerado das células de lítio. Para piorar a festa, muitos carros modernos trazem aquele famoso tapete de carregamento por indução junto à consola central. O carregamento sem fios já aquece o aparelho por natureza. Se meteres o telemóvel a correr o Android Auto em cima de uma base quente num dia de verão, o sistema de proteção térmica entra em ação.
O telemóvel simplesmente desliga o carregamento para não estourar, e tu chegas ao destino com o bolso vazio de carga e um aparelho a arder.
Para evitar dissabores, o bom senso continua a ser o melhor amigo. Deixa a máquina num sítio à sombra enquanto conduzes, descarrega previamente os mapas para navegação offline no Maps para não massacrar o modem e, se puderes, usa um cabo de qualidade ligado a uma porta de boa amperagem em vez de confiares cegamente nas bases de indução do veículo.






