Análise PES 2018: Sequela ou remasterização?

Jogámos PES 2018, mas ficámos com a sensação de que algo era familiar...

21939
0
Share:

Mais um ano, mais um duelo. Não, não falo de McGregor vs Mayweather. Falo sim do duelo dos simuladores de futebol. Num canto, o campeão da EA Sports, FIFA 18. No outro canto, o antigo dono do trono e novo pretendente, PES 2018. A verdade é que, ano após ano, a Konami tem vindo a melhorar o seu motor baseado na FOX Engine, do mestre Kojima. Porém, será isso trunfo suficiente para vencer o jogo agora liderado por Cristiano Ronaldo?

PES 2018: Jogabilidade? Check

E a verdade é que não nos podemos queixar da jogabilidade em PES 2018. O motor é o mesmo, com pequenos melhoramentos. Um pouco como um carro cuja revisão o tornou um pouco mais eficiente. Nota-se o efeito que a prometida protecção contextual traz: num toque do analógico, protegemos a bola de qualquer adversário. Porém, aparte deste refinamento e duma melhor utilização do analógico para as fintas, a grande novidade está mesmo no ritmo de jogo.

Iniesta, em PES 2018

O controlo da bola está mais apurado que nunca.

Está… está mais lento. E por mais lento, significa que os jogadores não correm tão depressa. Esqueçam os balões pela ala, apostados na velocidade de Bale e companhia. O segredo, desta vez, está na troca de bola à procura da ruptura na defesa. Defesa essa um pouco mais concentrada e atenta às marcações. Se falarmos, claro, na equipa contrária.

Porque na nossa, continuamos a sofrer constantemente dum posicionamento desastrado. Que é como quem diz – por muito que tentem colocar os colegas em determinada posição, eles vão acabar por ir todos à bola. E aqui reside o problema crónico de PES. É que isto já vem desde a edição de 2015.

Gráficos diferentes, problemas de sempre

Existe, obviamente, uma melhoria gráfica, não só nas animações dos jogadores como nos movimentos. Cada vez mais fluidos, cada vez mais realistas. Porém, e em 2017, é ridículo ter que se contar com uma comunidade de modders para se conseguir um campeonato licenciado. Seja ele o português, como o espanhol ou o inglês.

Por outro lado, a diminuta escolha de equipas, aliada à ausência da Bundesliga, torna a experiência muito mais frustrante. Eu percebo – estão aqui pelo lado histórico da franquia e pela jogabilidade. Mas a Konami não pode continuar com a preguiça crónica de apostar apenas na nostalgia.

Coutinho, em PES 2018

As parecenças com os embaixadores são impressionantes.

Os modos disponíveis são exemplo disso mesmo. Continuam a estar restritos à Master League, ao modo Estrela, ao MyClub, e a torneios individuais.

Estas categorias estão, também, exactamente iguais. Algumas melhorias a nível das transferências na Master League, entrevistas antes dos jogos e discursos no balneário ajudam a tornar a experiência mais real, mas é só isso. A esta altura do campeonato, pedia-se mais a PES 2018. Não ter um modo como FIFA Ultimate Team ou um modo história, como o de Alex Hunter, coloca-o atrás do seu pretendente.

Música pop, mas da verdadeira!

Longe vão os tempos do samba dos “trezentos” de PES 06. Desta vez encontramos verdadeiros hits mundiais na banda-sonora de PES 2018, como Bruno Mars ou The Chainsmokers. Porém, a quilómetros ainda da diversidade musical de FIFA. O que não deixa de ser uma alegoria muito irónica. Tal como nos plantéis e modos de jogo, FIFA demonstra uma capacidade bastante maior e mais vasta que PES.

E os comentários entram directamente nesta categoria. Por muito que gosto do Luís Freitas Lobo, há três edições que o ouço dizer a mesma frase. Passo a citar: “Gosto muito dos médios destas equipas – estou ansioso para ver os médios das duas equipas”. Pode ter sido kitsch ao início, mas mais uma vez, começa a fartar.

E é por isso que PES 2018, apesar da evolução na jogabilidade, fica bastante aquém de FIFA 18. A todos os níveis. Poderão achar estranho como é que, de um ano para o outro, a opinião pode mudar tão drasticamente. E a resposta é simples. Tal como o iPhone, PES demonstrou inovação constante ao longo dos tempos. Até ter estagnado e dedicar-se apenas a pequenas melhorias, pequenas renovações.

Ao contrário do iPhone, não possui uma marca como a Apple por detrás. E com um elemento tão descaradamente pay to win como o MyClub, torna-se difícil sequer recomendar este título. É pena. Por detrás da falta de produção e de conteúdo, está um bom jogo de futebol.

Gráficos8.5
Jogabilidade8.5
Banda-Sonora5
Inovação3
Diversão7
Joga-se muito bem e os gráficos não perdem para nenhum adversário. Os problemas crónicos e a utilização de PES 2018 como galinha dos ovos de ouro mandam abaixo a sua pontuação deste ano.
6.4
Share:
Carlos Duarte

Dê a sua opinião