O LG V10 tem uma estética apaixonante e inconfundível.

2014 viu a LG lançar alguns dos mais interessantes dispositivos nas gamas altas. A marca diferenciadora em todos eles foi a afirmação estilística de cada um. LG G4 e Flex 2 foram dispositivos realmente únicos, capazes de se diferenciarem bem num oceano de smartphones muito parecidos entre si. Em 2015 chegou o LG V10, e se a LG continuava sem oferecer o tipo de cilindrada que oferecem alguns dos grandes nomes no mercado, o LG V10 reafirmava a LG como um pasto fértil de ideias e sem medo de experimentar, inovar ou arriscar.

Se debaixo do capô o V10 tem performances de gama média alta, por fora é um absoluto flagship em qualidade de construção e materiais. Mas a sua grande afirmação é nas opções únicas e no experimentalismo. O V10 é dos poucos smartphones no mercado a poder mostrar ter algo que mais nenhum tem: um ecrã secundário, ou uma cobertura traseira em látex de certificação militar. Sem contar com a câmara dual na frente ou o ecrã 2k.

Como se transfere esta unicidade para o quotidiano, é o que veremos de seguida.

Uma construção sublime

O LG V10 tem inquestionavelmente construção e design de flagship, mas se muitos outros o podem dizer, o V10 afirma-se como membro de um pequeno grupo com margens em aço inoxidável, bem mais resistente a riscos e amolgadelas que o mais frequente alumínio. Especificamente, esta liga de aço é revestida com óxido de crómio que, em contacto com o oxigénio (por exemplo, após um arranhão), reage e efectivamente sela o metal contra deterioramento extra.

O LG V10 tem uma estética apaixonante e inconfundível.
O LG V10 tem uma estética apaixonante e inconfundível.

A capa traseira é toda uma nova história. Trata-se também aqui de um compósito semelhante ao látex, mas com uma microestrutura que o torna amplamente resistente a riscos e danos. Ou seja, não se amolga como o alumínio, nem risca como o plástico. Esteticamente é excelente, com a sua textura que facilita o agarrar do dispositivo e, embora existam várias cores, o preto é sem dúvida o nosso favorito, pois transmite melhor a construção resistente do V10, ou a sensação de que foi feito para aguentar algum abuso sem degradação.

O vidro sobre o ecrã é Gorilla Glass 4, todos estes elementos combinando-se para fazer do LG V10 um dos mais sólidos telemóveis no mercado, fora o segmento de equipamentos resistentes, e faltando-lhe apenas resistência à água.

Na prática, o dispositivo com que passamos as últimas semanas parece novo, apesar de ser um equipamento de testes bastante rodado. Pequenos arranhões são sempre de esperar nestes casos, mas, fora a frágil película sobre o ecrã, tudo parece confirmar a fé da LG nas soluções de engenharia do V10.

Num capítulo mais puramente descritivo, a frente do V10 caracteriza-se pelo topo bastante preenchido. É aí que encontramos a câmara dual, o ecrã secundário, sensor de luminosidade e auscultador. No topo temos um microfone para cancelamento de ruído e o emissor infravermelho que permite transformar o V10 num telecomando.

Porta USB, altifalante e jack áudio encontram-se na base e, claro, as laterais são desprovidas de teclas. Estas encontram-se somente na traseira, ao estilo LG, e controlam o volume, rodeando o botão que duplica como leitor de impressões digitais. Logo acima temos o módulo fotográfico com o flash de dois tons e o conceituado autofoco por laser.

A capa plástica tem obviamente um outo ponto de interesse, que é possibilitar carregamento wireless. Porque não aproveitar o facto para prover o telemóvel de uma bateria amovível? Foi precisamente o que a LG fez.

Experiência de utilização

O V10 possui bateria amovível e uma slot composta para microSD e nano SIM.
O V10 possui bateria amovível e uma slot composta para microSD e nano SIM.

As soluções do LG V10 são suficientemente únicas para imprimirem ao dispositivo um carácter único que influencia o modo como interagimos com um smartphone.

A começar, o ecrã secundário. Não é apenas uma geringonça, é bastante útil. A opção always on, que tem surgido em novos modelos Android, finalmente apanhando um dos bons pontos do Windows Mobile, poderá parecer capaz de substituir este ecrã, mas talvez estejamos enganados.

O ecrã secundário do V10 tem a óbvia vantagem de não ser útil apenas com o ecrã desligado. Enquanto usamos uma qualquer app, o ecrã mostra-nos as últimas cinco apps, um modo muito fácil de saltar entre elas. No entanto, podemos aí fixar diversas outras funções, como contactos rápidos e o leitor de música. Vocês sabem, para controlar o que ouvimos enquanto estamos aqui no Word a compor uma análise. Podemos ainda mostrar lá uma agenda com os compromissos ou simplesmente desligá-lo.

Com o ecrã desligado, o ecrã secundário é mais limitado, mas ainda cheio de funcionalidades. Desde logo, o player continua disponível, funcionalidade de que sentimos realmente a falta. A data e hora, com informações meteorológicas continua disponível, mas temos ainda definições como ligar a lanterna, ligar ou desligar Wi-Fi, modo vibratório e lançar a câmara.

Globalmente falando, o ecrã é uma clara mais-valia e facilmente aprendemos a tirar proveito dele. Gostamos fundamentalmente de quão útil é para navegarmos pelas apps mais importantes ou obtermos informação rápida sem termos realmente de prestar muita atenção a desbloqueios ou navegação. Em particular, é excelente podermos gerir uma chamada a partir do ecrã principal, sem necessidade se fazer scroll para baixo ou mudar de ecrã. Inclusivamente, as chamadas podem ser atendidas directamente deste ecrã, sem ligarmos o ecrã principal.

As funcionalidades extras do ecrã secundário são brilhantes e a sua utilidade viciante.
As funcionalidades extras do ecrã secundário são brilhantes e a sua utilidade viciante.

Em apps especificas, o ecrã também cumpre uma função importante. Na câmara permite alternar entre os modos de disparo, o que contribui para uma aplicação mais cheia de fotografia e menos repleta de ícones distrativos.

Um último pormenor útil é quando jogamos em ecrã inteiro. Um toque no ecrã secundário mostra as horas e notificações para não perdermos o fio ao mundo e, claro, sem abrir notificações sobre os jogos, o que raramente tem resultados positivos.

O toque é rápido, a resolução é excelente, e o ecrã comporta-se facilmente como um complemento do principal e, se juntarmos a tudo a possibilidade de esconder as teclas de sistema, o ecrã principal fica com uma excelente área disponível.

Alguns dos seus aspetos de implementação poderão, no entanto, ser melhorados. Desde logo há uma luminescência que emana da junção entre o ecrã e as câmaras. Durante a noite a luz pode tornar-se algo intrusiva, mas podemos pelo menos ver o telemóvel no escuro, certo?

Em resultado da localização do ecrã, o sensor luminoso encontra-se a escassos milímetros do topo e o resultado mais óbvio é que, quando seguramos o dispositivo na horizontal, há uma tendência para tapar o sensor e baixar o nível de luminosidade inadvertidamente.

Ecrã

As suas imagens de alta resolução ficarão soberbas no ecrã do LG V10.
As suas imagens de alta resolução ficarão soberbas no ecrã do LG V10.
A antiga arte do sapateiro. As capacidades fotográficas do LG V10 inspiram a fotografia.
A antiga arte do sapateiro. As capacidades fotográficas do LG V10 inspiram a fotografia.

O Ecrã é um dos pontos fortes do LG V10, e 2k parece-nos o número mágico em termos de qualidade de imagem, versus bateria. Todos aqueles pixéis requerem uma tremenda quantidade de energia para se manterem iluminados e a bateria do V10 é, ainda assim, uma das suas lacunas. Fora estas questões, o ecrã é bastante brilhante, com tons ricos e excelentes contrastes. Em condições de exterior está plenamente de acordo com a sua classe de preço e tem da melhor legibilidade que já experimentamos.

E quanto à questão da utilidade do 2k?

As imagens no LG V10 são, obviamente, infalíveis para o que será um olho humano típico. No quotidiano, a resolução extra não será imediatamente visível, mas quando chegamos aos conteúdos multimédia a coisa muda substancialmente de figura. Face ao FHD, os pormenores são mais refinados e há uma menor perda de detalhes. Certamente, é preciso conhecer bem as duas resoluções e quiçá as imagens que estamos a ver, mas é tão simples quanto isto: na mesma fotografia de um céu estrelado, com a imagem limitada ao ecrã, o V10 vai mostrar mais estrelas.

Câmara

Outro grande ponto a favor do LG V10 são as suas câmaras. As da frente, para os selfies são sempre secundarizadas pelo autor, mas uma palavra deve ser dita quanto à sua qualidade. De igual modo, a opção por duas câmaras com ângulos de visão diferentes permite contornar limitações e aumentar a diversidade ao dispor do utilizador. Um smartphone bem vocacionado para os selfies, o V10 pecará pela ausência de flash frontal, algo que muitos apreciarão, ainda que da nossa experiência as duas câmaras se aguentem muito bem com pouca luz.

Tudo muda com a câmara principal. A LG tem apostado forte na qualidade da sua fotografia e o LG não muda a postura. A interface da câmara continua a ser líder de mercado e os resultados finais também. Os comandos são extremamente fáceis de aceder e bastante completos, além de intuitivos, mas mesmo face aos restantes LG, o V10 tem a acrescida vantagem de parte dos comandos migrarem para o ecrã secundário, deixando o ecrã principal muito menos povoado.

A performance nocturna do LG V10 é bastante interessante.
A performance nocturna do LG V10 é bastante interessante.

O V10 expõe de modo muito equilibrado, criando tons vivos, mas sem exagerar.  Em situações de elevado contraste, no entanto, as altas luzes queimam facilmente de modo irrecuperável, pelo que o conselho será sub-expor a imagem e tirar vantagem de termos ficheiros RAW para depois subir as sombras. De facto, em manual, a progressão de brancos escuros a queimados deixou a impressão de ser algo abrupta, requerendo algum cuidado do utilizador no controlo.

As imagens em jpeg são igualmente equilibradas, com uma boa manutenção da qualidade dos pormenores mesmo junto aos sempre problemáticos vértices e notamos uma quase ausência de artefactos nas arestas de alto contraste onde os algoritmos de sharpening costumam pregar algumas partidas.No caso do LG V10, o recorte dos objectos é muito bom, sem margens ao redor das arestas, uma virtude muito bem-vinda.

Do lado do foco notamos bastante velocidade, algo deteriorada quando a luz é mais fraca, mas sem ficar mal face a uma concorrência que não se sai melhor. O sumo disto é que temos aqui uma das melhores câmaras do mercado, e a interface LG não desilude, inspirando-nos a procurar aquela imagem especial do dia.

Áudio

O LG V10 preza muito o seu som Hi-Fi através de auscultadores e felizmente vem com um par de auriculares de boa qualidade, ainda que os materiais plásticos sejam uma surpresa, face ao pacote geral. A questão fundamental é que, quando o DAC é activado, notamos uma apreciável envolvência na qualidade de som, ainda que isto requeira algum investimento na qualidade dos ficheiros áudio. Os equalizadores ajudam ainda mais à melhoria do som, particularmente o Surround puro, obviamente se o ficheiro áudio for de qualidade, mas quando se investe este tipo de valores num smartphone, ser sovina na qualidade dos mp3 é dificilmente justificável.

Em altifalante o V10 também tem um bom comportamento, mas nada de brilhante. Teríamos gostado de speakers estéreo.

Finalmente, a telefonia também é bastante meritória, apesar de alguns estalidos que fomos ouvindo e que não podemos de todo atribuir com segurança ao V10.

Bateria

Voilá algo de que o V10 poderia beneficiar: uma melhor bateria.  Os 3000mAh são à justa para um utilizador intensivo e para as capacidades do ecrã. Num dia normal, chegamos à noite com menos de 30%, ainda menos se precisarmos de dados móveis. Portanto, o ideal seria mesmo ter algo mais perto de 4000mAh mas, em defesa da LG, esse seria um valor muito difícil de obter com uma bateria amovível e dentro das dimensões do V10.

A conclusão final é que o comportamento da bateria é razoável, mas para um dispositivo com esta vocação de produtividade, seria necessário algo mais.

Performance

O Snapdragon 808 não é material flagship, mas o problema será mesmo a Adreno 418. Nos benchmarks, o V10 vai ficar claramente abaixo dos grandes cavalos de corrida de outras marcas, mas em termos práticos vamos notar pouco esta diferença, virtude de uma UI bem conseguida e dos 4GB de RAM que dão espaço praticamente ilimitado para termos apps dormentes em segundo plano, prontas para utilização.

A excelente resolução do ecrã está, no entanto, a puxar pela gráfica e, durante os jogos mais exigentes, manter adequada fluidez de movimentos vai invariavelmente levar ao aquecimento do dispositivo em alguns minutos. Felizmente não é grave, visto que o material plástico dissipa muito bem o valor gerado e a performance não se degrada apreciavelmente.

O LG V10 não perca, por isso, por falta de resposta às solicitações do utilizador, e mostra-se um dispositivo perfeitamente capaz de aguentar com uma carga de trabalho muito interessante, apenas não durante o dia todo, graças à bateria curta.

Conclusão

O LG V10 é, segundo a marca, o primeiro da futura gama V, com foco no design superior, qualidade dos materiais e no luxo.

Do escritório, aos passeios de fim de semana, o LG V10 torna-se imprescindível.
Do escritório, aos passeios de fim de semana, o LG V10 torna-se imprescindível.

Se em termos de processamento o LG V10 não atinge os picos de performance de alguns dispositivos na sua classe de preço, as suas soluções de engenharia não são menos do que fascinantes. O ecrã secundário – apesar das reservas – é de extrema utilidade e muito rapidamente nos habituamos a recorrer a ele para agilizar o fluxo de trabalho. A partir daí não queremos outra coisa e, portanto, este é um dos pontos mais marcantes do V10. Francamente é um ponto que vale a pena pensar ao comprar um smartphone e que não deixará de recompensar o nosso interesse.

Do lado da construção estamos igualmente impressionados, o LG V10 parecendo robusto, e com uma beleza muito própria, além de surgir como um dispositivo capaz de aguentar uso prolongado sem acusar desgaste estético.

Não é certamente perfeito: o processador mantém-no aquém daqueles para quem a performance pura é tudo; a bateria é de facto uma lacuna a necessitar de melhoria, e o ecrã secundário ainda tem algum caminho a percorrer até a sua integração ser perfeita.

O design único, a elevada qualidade de construção e as soluções específicas de interface tornam o LG V10 um dos smartphones mais apaixonantes no mercado actual, tão pontuado por desenhos desinspirados que se copiam mutuamente. Ao entregar grandes trunfos na área da interface, dando aos utilizadores maior capacidade de agilizar a fluidez do seu trabalho, o V10 é ainda mais do que simplesmente belo ou potente: é útil, é produtivo.

Com todas as suas características, o LG V10 consegue distinguir-se e diferenciar-se num mundo onde é difícil olhar para as prateleiras e perceber onde estão as diferenças entre um e outro dispositivo. O LG V10, pelo contrário, é membro de um grupo muito restrito de smartphones que nos oferecem aquilo que podemos classificar de experiência de utilização verdadeiramente única, tornando muito difícil evitar o amor à primeira vista.

Acompanhe ao minuto as últimas noticias de tecnologia. Siga-nos no Facebook, Twitter, Instagram! Quer falar connosco? Envie um email para geral@leak.pt.