Ao contrário da maior parte das opiniões dos meus colegas de ofício, considero o LG G5 o melhor smartphone de 2016 (pelo menos, dos que me passaram pelas mãos) de mão dada com o Nexus 6P, mas por diferentes razões. Tem um conceito inovador e com muitas pernas para andar, um design sóbrio e limpo, uma qualidade que espanta a muitos níveis e uma câmara soberba… aliás, duas câmaras soberbas. Então, porque está ele esquecido e até a ser maltratado por muitos opinadores que se deixam entreter por percentagens e vendas?

Ok, posso até concordar que a LG deu um tiro no pé ao querer apresentá-lo aquando a IFA de Setembro e que, devido ao atraso na produção, só chegou ao mercado muitos meses depois. É complicado gerir esta situação e mesmo a LG, a acreditar no que se diz por aí, só recentemente acordou para “cortar a cabeça” aos responsáveis pelo flop mudando todo o departamento e política. Não entendo como se deixaram ir no blabla externo, pois afinal, o que a LG fez foi apresentar uma mudança disruptiva em como entendemos e manuseamos um smartphone. Tenho até algum receio que este fantástico caminho dê vários passos atrás e que a marca coreana o abandone, mostrando em Setembro próximo um G6 igual a todos os demais. A ver vamos, pode ser que este ensaio vos faça ir a correr comprar um G5 na loja e afaste essa nuvem.

A LG tem sido a parente pobre na luta pela primazia mobile, pois o top três faz mossa a quem não está lá. Mas a tecnologia que propõe nos seus recentes topos de gama não passam despercebidas a ninguém e, para além de apresentar os melhores ecrãs, batalha pelo primeiro lugar no que respeita à câmara fotográfica. A Apple, que está a perder o comboio, já percebeu que tem de se render às evidências e encomendou o sistema de dupla objectiva à… LG, com todo o atraso que isso implica na saúde do seu futuro 7S. Mas pelo que percebi com esta câmara dupla do G5, ainda vão ter tempo para recuperar algum do terreno perdido. Há que confiar nos Apple fãs!

Uma das maiores críticas que se faz ao LG G5 tem a ver com o seu design: é feio, deselegante e tal e coiso. Mas porquê? É dos terminais com linguagem mais pura e limpa, inclusive, com uma pintura que tapa as inestéticas antenas embutidas. De frente, o topo até parece que tem ecrã até ao limite e, há que não esquecer, todo o esforço que foi pensado e conseguido para o sistema de abertura na base. O G5, caros leitores, é soberbo por tudo isto.

O corpo de magnésio parece pequeno para um ecrã tão “generoso” e tem peso que engana, pois parece mais pesado do que realmente é: apenas 159g num formato arredondado, fluido e equilibrado.

LG G5

Características:

  • Android 6.0 Marshmallow com UX 5.0
  • Ecrã 5.3″ Quad HD IPS (1440×2560, 554ppi)
  • Qualcomm Snapdragon 820
  • 4GB RAM
  • 32GB armazenamento interno
  • Micro-SD (até 200GB)
  • Dupla câmara principal (16Mp + 8Mp) com OIS e laser auto focus
  • Câmara frontal com 8MP
  • 11ac dual-band Wi-Fi, Bluetooth 4.2, GPS, NFC, Infravermelhos (IR)
  • Sensor biométrico
  • Cat 9 4G LTE
  • USB Type-C
  • Bateria removível com 2800mAh
  • 149x74x7.7mm, 159g

O ecrã de 5.3″ Quad HD IPS Quantum Display (2560 x 1440 / 554ppi) é super brilhante e nítido, perfeito para ver vídeos do Youtube ou Netflix quando apanhamos uma rede gratuita com alguma potência. Os 4GB de RAM e 32GB de espaço interno, são mais que suficientes para grande rapidez de processos e armazenamento de conteúdos, mas se for preciso mais, podemos colocar um cartão SD com até, atenção, 200GB de capacidade. Fica ao lado da bateria, portanto, quando mudamos a base teremos de desmontar e montar também o cartão. Por falar na bateria, esta tem 2,800mAh de capacidade mas a grande vantagem de ser amovível, o que é raro nos topos de gama actuais. Garanto-vos que é uma mais valia, pois uma bateria extra pesa poucos gramas e é muito fina, duas grandes vantagens em relação ao obrigatório carregador externo que ainda tem mais um cabo para atrapalhar. A função ALWAYS ON está presente e, confesso (pois uso um terminal que a não tem), faz-me falta no dia a dia, pois uso o smartphone como despertador e nada melhor que conseguir vislumbrar aqueles cinco minutos extra para ainda terminar o sonho com uma luz muito ténue e cinzenta, ao invés do flash branco e colorido que nos acorda para o pesadelo de mais um dia de trabalho.

Existe um sensor biométrico para impressões digitais que também funciona como on/off, mas necessita de maior pressão que o entusiasmante sistema paralelo da Huawei. Estranhamente, a LG optou por fazer regressar os botões +/- para a lateral.

Dupla câmara com dois sensores e duas aberturas

Temos ao dispor (e mudamos através de um simples toque no ícone dedicado ou pelo zoom) duas câmaras, uma com 16MP (f/1.8) e outra com metade,  8MP (f/2.4), ambas com OIS(estabilizador óptico), laser autofocus e gravação vídeo a 4K. A grande diferença, para além da qualitativa, é a de 8MP ser uma grande angular o que permite tirar fotografias com uma largura extraordinária de 175 graus. É muito bom, mesmo sacrificando algum detalhe nos contornos e cor. Para conseguirmos uma fotografia com qualidade top, usamos a objectiva de 16MP com uma abertura fantástica de f/1.8 que permite a entrada de muita, muita luz. E com isto garante-se um pormenor realmente fantástico, cores muito conseguidas e uma profundidade de campo assinalável. Esta dupla câmara é TOP e rivaliza com a que encontramos no Galaxy S7 que, de todos, é o alvo a abater. O G5 chega à qualidade do S7 e, por vezes, consegue entusiasmar ainda mais. Um completo menu de controlo manual convida ao nosso olhar mais artístico. A possibilidade de gravar em RAW é muito bem vinda, assim como a presença do HDR dá ainda mais impulso ao detalhe e à cor.

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Os LG Friends

Tive a sorte de poder experimentar a totalidade dos “Friends” que fazem do conceito modular do G5 a sua verdadeira mais valia em relação a TODA a concorrência. São os primeiros extras funcionais e que mostram como tudo se processa. O primeiro passo obriga a carregar num ligeiro botão para soltar o travão do sistema. Um aspecto menos positivo, é a forma como se separa a bateria dos Friends, pois tudo parece um pouco frágil demais. Mas aprendendo o ângulo certo, conseguimos terminar a operação em poucos segundos (ver vídeo). Como a bateria está acoplada a estas bases, somos obrigados a desligar e religar o G5 a cada mudança. Nada demais, mas é um passo que tem sido muitas vezes apontado como negativo. Não entendo, uns segundos a mais bastam para retirar toda a funcionalidade de um novo sistema? Mais vale realmente ficarem pelos iPhones…

Experimentei o LG Cam Plus, um punho fotográfico extra que tem uma bateria inclusa de 1100mAh, o que é bem pensado para podermos ter mais liberdade e tempo de utilização para vídeo, por exemplo. Alguns botões físicos, inclusive mesmo uma roldana para certos parâmetros manuais, permitem controlar o zoom de forma bem mais suave.

Uma das experiências menos positivas foi a utilização do DAC Bang & Olufsen que prometia melhorar e muito a qualidade áudio do G5 mas que cumpriu apenas ligeiramente e por dois motivos: o reprodutor próprio não é nada mau (com a utilização de auscultadores) e o nível de saída do DAC é, sem ter percebido porquê, demasiado baixo, o que obrigou a puxar pelo botão volume até ao máximo o que, qualitativamente, provoca sempre alguns problemas e entrada de ruído.

Mas foi a câmara LG VR360 que me fascinou. Com pena, usei-a pouco tempo mas deu para conseguir alguns vídeos que coloquei no Youtube sem edição, apenas para se poder perceber a dinâmica da coisa, da tal Realidade Virtual a 360 graus que anda na boca do mundo e de que se diz ser o “next big thing”.

 

Concluindo

Gostei francamente do G5 e passou a ser o meu smartphone preferido de 2016, mesmo com a maravilha tecnológica que é o Samsung Galaxy S7 Edge e o conceito extraordinário levado à prática pela Huawei com o seu P9 Plus.

Contudo, o LG G5 deu um passo em frente. Não só é muito bom nas funções do dia a dia, das mais frequentes às mais puxadas, com oferece uma qualidade digna do top 3 em cada registo. Conseguiu pegar no conceito AURA da Google que está há demasiado tempo “no forno” e ser a primeira marca a ter coragem para lançar um equipamento realmente diferente e com o factor plus que os acessórios permitem. O sistema pode parecer frágil mas, durante o tempo que experimentei, nunca deu um problema. Acima de tudo, é disruptivo, diferente, ousado, fantástico.

Infelizmente, muitas vozes se levantam para apontar o dedo à coragem, afirmando que é um flop de vendas. Ok, pode não vender como as pipocas que saem com um logotipo da maçã, mas, de longe e sem sombra de qualquer dúvida, empurra o iPhone 6S para o século passado. Em todos os aspectos. E isso vale o que vale.

PVP:

G5 – 699,9€

VR360 – 249,9€

360 Cam – 249,9€

HI-FI B&O – 149,9€

CamPlus – 99,9€

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