A Leak esteve recentemente em Madrid para assistir ao lançamento do novo BQ Aquaris A4.5, na sua essência um M4.5 cujo destaque vai para o facto de incarnar o conceito Android One, um Android puro, para uma performance melhor sem hardware superior, e com a promessa de actualizações, pelo menos até ao Android Marshmallow. Agora que pudemos contactar mais directamente com o dispositivo, o que será que vale no mercado este esforço da BQ/Google?

Principais características do BQ Aquaris A4.5 Andoid One

O primeiro Android One na Europa chegou, cortesia da BQ, com o seu Aquaris A4.5.
O primeiro Android One na Europa chegou, cortesia da BQ, com o seu Aquaris A4.5.

Como já anteriormente indicamos, o BQ Aquaris A4.5 é o M4.5 ponto por ponto, o que significa um ecrã de 4.5 polegadas com resolução qHD (540×960) mais do que razoável para esta gama. O processador é um MediaTek MT6735M quadcore A53 a 1GHz, com apenas 1GB de RAM, e a GPU é a modesta GPU Mali T720-MP1. Quanto ao armazenamento interno, é um dos pontos onde o A4.5 merece uma palmadinha nas costas pelos seus 16GB, bastante úteis, nesta era de apps em massa.

Quanto às câmaras, o combo de 8MP com 5MP é definitivamente banal, mas ainda assim muito interessante num segmento onde muitas câmaras principais ainda são de 5MP ou menos. Em sua defesa, o A4.5 apresenta ainda capacidade de gravação 720p, flash LED duplo, uma abertura de F2.0, com capacidade de foco a uma distância mínima de 10cm.

Grande destaque, claro, para a conectividade 4G, que nesta gama de preço é uma verdadeira raridade.

As características do BQ Aquaris A4.5 são decididamente de entrada de gama, mas todas somadas, encontram-se entre as melhores do mercado por menos de €200.

Construção e ergonomia

O BQ Aquaris A4.5 é fundamentalmente um Aquaris M4.5 nos mais ínfimos pormenores.
O BQ Aquaris A4.5 é fundamentalmente um Aquaris M4.5 nos mais ínfimos pormenores.

As primeiras impressões são sempre importantes e, como anteriormente, a BQ esmerou-se com a criação de uma embalagem sólida e elegante, com decorações em baixo e alto relevo que são absolutamente atípicas nas embalagens mais discretas deste segmento de mercado. Por seu turno, o desenho do telemóvel é já típico da BQ com linhas rectas simples e eficazes, a capa de plástico traseira algo mais curta que as laterais em metal e com as margens algo encurvadas para uma melhor ergonomia. Em vez de pintados, os dados sobre o equipamento são aí gravados em baixo relevo.

O ecrã é depois envolto pelas laterais para maior protecção, ainda que a espessura mínima destas não garanta uma protecção máxima. Ressalva-se o bom encaixe de todos os componentes, com o BQ Aquaris A4.5 a emitir uma sensação de equipamento sólido, sem deformações ou movimentos, que nos deixa bastante agradados.

Como é usual na BQ, o Aquaris A4.5 mantém a engenharia Dual Sim.
Como é usual na BQ, o Aquaris A4.5 mantém a engenharia Dual Sim.

Com uma construção muito boa e um desenho minimalista que não deixa de agradar por parecer pouco propenso a mostrar sinais de utilização com o tempo, se há algo que nos deixa de pé atrás quanto a este excelente dispositivo, é o ecrã certificadamente pequeno com apenas 4.5 polegadas. No mercado actual, mesmo os ecrãs com 5 polegadas já encontraram o seu caminho até às gamas de entrada e as maiores dimensões são sem dúvida um ponto extra de interesse. Com as suas dimensões mais reduzidas, o ecrã do BQ Aquaris A4.5 é densamente povoado e não será o mais confortável para longas leituras.

Há no entanto um ponto muito positivo em tudo isto, e é o facto de ser dos poucos smartphones na actualidade em que a preocupação com a sua queda da mão não nos ocupa a mente. Com as suas dimensões, o BQ Aquaris A4.5 cabe em qualquer mão e pode ser facilmente utilizado com apenas um polegar. Ao mesmo tempo, o ecrã surpreende pela qualidade que tem, com ângulos de visão razoáveis e praticamente nenhuma alteração das tonalidades com a variação do ângulo.

Menos positivo é o facto da BQ ter omitido as teclas capacitativas no painel frontal, colocando apenas teclas virtuais no ecrã. Com as dimensões já pequenas deste, a nova faixa preta não só perturbará o espaço disponível para gráficos, como deixa o Aquaris A4.5 com um queixo que mete inveja ao Jay Leno e em detrimento da estética geral.

Experiência de utilização

A interface do BQ Aquaris A4.5 tem na sua fluidez um argumento de peso.
A interface do BQ Aquaris A4.5 tem na sua fluidez um argumento de peso.

Este parece-nos ser o capítulo fundamental para qualquer análise ao Aquaris A4.5, afinal é a sua razão de ser. O sistema Android, sobrecarregado por apps de proprietário, de diferentes operadores, com skins específicas de cada marca, não é conhecido pela eficiência, mas o Android básico é toda uma outra história. Em termos de hardware, o A4.5 não traz nada que não encontremos noutros equipamentos semelhantes, nesta era de dominância de dois ou três fabricantes de chips transversais a marcas e sistemas operativos.

É por esse motivo que os benchmarks pouco poderão traduzir o que é ter este dispositivo a funcionar. A sua grande arma é um Android Lollipop sem qualquer acrescento, puramente Google, e por isso extremamente leve. Obviamente, perdemos em animações, cores berrantes e menus elaborados, para recebermos em troca uma operação bastante fluída e resposta rápida.

Aqui, o Aquaris A4.5 marca definitivamente pontos. A navegação nos menus, a abertura da maioria das aplicações e a velocidade de resposta em geral, são bastante interessantes. O Aquaris A4.5 reage com a celeridade de equipamentos que chegam a custar o dobro bate-se taco a taco com equipamentos como o Huawei Mate S ou o Asus ZenFone 2, que têm performances de destaque nas suas classes.

Isto é obtido graças também a uma interface absolutamente frugal, onde os efeitos de movimento e toque são minimizados, e os ícones não apresentam qualquer floreado.

A câmara do BQ Aquaris A4.5 apresenta 8MP e flash dual, algo ainda raro nesta gama de preço.
A câmara do BQ Aquaris A4.5 apresenta 8MP e flash dual, algo ainda raro nesta gama de preço.

Dois pontos negativos devem no entanto ser ressalvados: por um lado, as teclas virtuais no ecrã, em vez das capacitativas no painel, tornam o ecrã disponível ainda mais pequeno e têm um efeito nefasto na interface de algumas apps e jogos que se tornam simplesmente demasiado “povoadas”. Talvez ainda pior, a funcionalidade de activação por duplo toque, sendo muito útil, é tão sensível que facilmente cria situações ridículas quando o telemóvel faz chamadas, abre apps e se reconfigura enquanto caminhamos.

Performance

Como seria de esperar, os benchmarks não são nada de brilhante, o que não é de todo importante, porque encontraremos melhores resultados com uma performance base mais lenta e arrastada. No caso do BQ Aquaris A4.5, o ponto de foco é mesmo como este hardware utiliza o sistema operativo e, como já vimos, não há falhas a apontar no que é um desempenho excelente.

O BQ Aquaris A4.5 consegue correr quase tudo o que lhe atiramos à cara, embora à custa de gráficos refinados.
O BQ Aquaris A4.5 consegue correr quase tudo o que lhe atiramos à cara, embora à custa de gráficos refinados.

Onde a gama de preço do BQ Aquaris A4.5 começa a fazer-se notar é mesmo quando verdadeiramente puxamos por ele e o pedigree puro do hardware começa a ser mais importante do que o sistema operativo. Isto nota-se facilmente quando o Aquaris abre rapidamente os Quando instalamos apps pesadas e de dimensões generosas, começamos a ver um comportamento mais normal para esta gama de preço com velocidades de download e escrita de dados menos excepcionais do que o comportamento base do dispositivo.

Para ver até onde podia ir, o autor atirou-lhe com alguns desafios, nomeadamente Real Racing 3, Need For Speed: Unlimited, Velozes e Furiosos: Legado, Fifa 16 e Dead Effect. Há que tirar o chapéu ao Aquaris A4.5 por ter conseguido correr todos estes jogos inegavelmente pesados sem se queixar. Nada surpreendentemente, o processo de download e instalação é apreciavelmente lento, e o carregamento de cada jogo também leva algo mais do que gostaríamos, mas ainda assim consonantes com este segmento de mercado.

Mas os jogos correm, e correm com jogabilidade suficiente para serem bem apreciados. As fps deixarão no entanto bastante a desejar para os gamers mais ferrenhos, com NFS e VF Legado a mostrarem animações fluídas, mas em câmara lenta por comparação à adrenalina do Asus ZenFone 2. Real Racing 3 e Fifa 16 correm bem melhor, mas os gráficos sofrem com a baixa resolução do ecrã, que não nos permitirá ver em todo o seu esplendor alguns destes gráficos.

De qualquer modo, que o Aquaris consiga correr estes jogos, e o Dead Effect com todos os gráficos no máximo, é um bom tributo à sua qualidade, ainda que esta virtude não ultrapasse a baixa resolução do ecrã e o seu efeito negativo nos gráficos.

Câmara

A câmara do Aquaris A4.5 tem méritos suficientes para algumas brincadeiras.
A câmara do Aquaris A4.5 tem méritos suficientes para algumas brincadeiras.

Um ponto que nos surpreendeu pela positiva no A4.5 foi a eficácia da câmara principal. 8MP não é uma resolução que inspire geralmente muita confiança, mas o Aquaris A4.5 está entre as excepções. Não sabemos se é um sensor Sony ou Samsung, mas comporta-se bem, com boas cores e o que parece ser uma boa implementação dos algoritmos de processamento de imagem. Os pormenores mais finos, como cabelos, mostram sinais de ajustes à nitidez que conferem às imagens alguma solidez.

A app é a Google Camera. Portanto, apesar de ter algumas opções interessantes (HDR e Photo Sphere), é bastante simples e dá-nos um controlo mínimo sobre os resultados. Os aficionados de fotografia à procura de maior controlo criativo poderão querer puxar uma app mais evoluída, ou um editor como o Pixlr para tirar o máximo proveito das imagens.

Áudio

Bom, esta é obrigatória num telemóvel com sistema Dolby, certo?

O som no BQ Aquaris A4.5 em si mesmo é perfeitamente normal. Volume e nitidez são adequados, sem serem extraordinários, o que, tendo em conta o valor do dispositivo, não é uma grande crítica. O destaque vai no entanto para o sistema Dolby Atmos, que consegue extrair algo mais do hardware, e criar um som bastante imersivo.

Claro que o sistema Dolby Atmos sempre foi um sistema de som imersivo em 3D vocacionado para criar uma experiência sonora multidireccional e com diferentes profundidades no cinema. A real capacidade do sistema num telemóvel só será percepcionada com conteúdos pensados de raiz para o sistema, por isso não esperem milagres com mp3 baratos, e apostem em bons auriculares. Podem testar o sistema com conteúdos Dolby e com ele activo, as transições são mais suaves, a direccionalidade mais distinta. Ainda assim, gostaríamos de uma app de raiz com mais opções para afinações pessoais.

Conclusão

Boa resolução e contraste são características da câmara, mas a app é simplista.
Boa resolução e contraste são características da câmara, mas a app é simplista.

O preço do BQ Aquaris A4.5 coloca-o em concorrência directa com equipamentos como o Wiko Highway Signs, LG C70, Sony Xperia E4 ou Huawei G650, isto apenas dentro do ecossistema Android. Com um ecrã de 5 polegadas HD, processador octa-core de 1.2GHz com 2GB de RAM e uma câmara de 13MP capaz de vídeo em Full HD, o Huawei é um concorrente potente por apenas €10 mais, ainda que só possua 8GB de armazenamento e não traga 4G.

Já o Wiko Highway Signs oferece especificações mais aproximadas, com um ecrã de 4.7 polegadas, mas resolução HD, e um octa-core Mediatek MT6592M a 1.4GHz. As suas vantagens terminam aí: traz a mesma RAM, e um armazenamento apenas de 8GB, enquanto as câmaras são idênticas.

Finalmente, o Sony Xperia E4 é um dos nossos Android de entrada de gama favoritos, mas fora o ecrã maior e a capacidade de vídeo Full HD, ou eventualmente a garantia da qualidade Sony, não possui nenhuma vantagem sobre o BQ Aquarias A4.5. O seu preço pode no entanto ser inferior.

Mas há três vantagens que o BQ Aquaris A4.5 tem sobre todos estes equipamentos, e muito possivelmente sobre todos os equipamentos actualmente vendidos abaixo de €200: a experiência de utilizador, o Android recente e as actualizações. E é precisamente ao público que tem grande foco nestas vantagens que se dirige o A4.5.

Do lado da experiência de utilizador, conseguimos encontrar equipamentos de cerca de €200 com especificações bastante interessantes, mas o facto parece ser que o A4.5 os superará em termos de velocidade base do sistema, graças à sua mais do que óbvia nudez e pureza, dando uma experiência de utilização bastante rápida para aquilo a que o Android nos habituou. Complementarmente, há que relembrar que no que diz respeito às actualizações, a maioria dos smartphones actualmente no mercado por menos de €200 estão presos ao Android KitKat (e isso é válido para o Huawei G650 também), sem perspectivas de se actualizarem para o Lollipop, e muito menos Marshmallow, enquanto o BQ Aquaris A4.5 chega desde o início com Android 5.1.1. Lollipop e a promessa de se actualizar para o Marshmallow muito rapidamente.

É uma actualização que se traduz num sistema operativo mais preparado para novas apps e funcionalidades, além de bastante mais seguro. Muitos telemóveis actualmente à venda com o KitKat poderão nunca receber o Lollipop e, na sua esmagadora maioria, também não receberão actualizações de segurança pertinentes ou a tempo. O processo é simplesmente demasiado moroso: cada patch de segurança libertado pela Google pode demorar meio ano ou mais até chegar a um telemóvel específico, pela dificuldade que representa adaptar cada patch a cada modelo, e todo o processo não será de todo económico em muitos casos.

Mas há aqui um grande Condicional. Está nas mãos da BQ cumprir o principal pressuposto da compra deste smartphone, e se em algum momento a tecnológica Espanhola der sinais de demora na actualização, uma boa parte do atractivo poderá desaparecer.

Mesmo com esta ressalva, o BQ Aquaris A4.5 é possivelmente a melhor opção no mercado para quem quer ter uma experiência de utilizador equivalente a um telemóvel de €200-€300, desde que hardware imponente não seja uma necessidade. Para os utilizadores com a mente na segurança e com vontade de terem um telemóvel actualizado, o atractivo do A4.5 é ainda mais óbvio, face aos concorrentes que hoje o acompanham, mas amanhã estarão irrevogavelmente desfasados.

Uma última consideração deve ir para o preço. Apesar da nossa posição de que por cerca de €180 o BQ A4.5 consegue dar ao utilizador uma experiência de utilização equivalente à de equipamentos que chegam a custar o dobro, e de possuir das melhores especificações na sua classe de preço, julgamos que o preço é apesar de tudo algo elevado para os objectivos do projecto Android One, e pode colocar o pequeno BQ num segmento de mercado onde as suas vantagens possam não apelar a um público que poderá procurar hardware mais potente, mesmo a custo de alguns Euros extras. Pelo contrário, se custasse menos €20 que fosse, o BQ Aquaris A4.5 poderia ser um verdadeiro dominador no seu segmento de mercado.

 

Acompanhe ao minuto as últimas noticias de tecnologia. Siga-nos no Facebook, Twitter, Instagram! Quer falar connosco? Envie um email para geral@leak.pt.