Se costumas passar pela Leak, sabes perfeitamente que eu adoro acompanhar as novelas dos bastidores dos processadores. A mais recente foi protagonizada pela AMD! Que acabou com uma reviravolta daquelas que mostra que, quando a comunidade se junta e faz barulho, até os gigantes de Silicon Valley são obrigados a recuar.
Ou seja, a marca deu o braço a torcer e confirmou que vai devolver a funcionalidade TSME (Transparent Secure Memory Encryption) aos processadores Ryzen para o mercado de consumo.
AMD quis brincar. Mas a brincadeira correu-lhe mal!
Para quem não está a par do drama, a AMD tinha decidido, de forma muito calada e escondida, desativar esta funcionalidade de segurança em abril, através de uma atualização de firmware (AGESA) enviada para as motherboards.
A ideia era óbvia! Guardar esta tecnologia como um exclusivo das linhas empresariais Ryzen PRO, Threadripper e EPYC, obrigando quem queria segurança extra a pagar mais caro por chips profissionais. O problema é que a Intel oferece a sua tecnologia equivalente (TME-MK) em todos os chips Core normais, o que deixou os clientes da AMD a sentir-se roubados.
O que é o TSME e porque é que ele faz falta no teu PC?
Para percebermos a importância disto, o TSME é uma tecnologia de segurança baseada em hardware que encripta diretamente os dados guardados na memória RAM do teu computador. Isto cria uma camada de proteção brutal contra ataques físicos ou acessos maliciosos. Que por sua vez tentam roubar informação sensível diretamente dos módulos de memória enquanto o PC está a funcionar.
Como a AMD usa exatamente a mesma arquitetura física (o chamado IOD). Isto tanto nos Ryzen normais que compramos para jogar como nos modelos PRO para empresas. O hardware desta encriptação sempre esteve lá dentro, fisicamente presente no silício. Desativá-lo por software foi apenas uma jogada comercial. Isto de forma a tentar segmentar o mercado à força, algo que caiu muito mal entre os entusiastas e utilizadores avançados.
Atualizações de BIOS chegam já em julho
Perante a onda de críticas e o descontentamento geral. A AMD decidiu emitir um comunicado oficial onde assume o erro e confirma que, “com base no valioso feedback da comunidade”, a opção para ativar o Memory Guard vai ser reposta.
Assim, se tens um processador das gamas afetadas, como a linha Ryzen 9000. Podes esperar por novas atualizações de BIOS que vão começar a chegar já no próximo mês de julho.
No fim do dia, esta é uma vitória clara dos consumidores. Mostra que o mercado não aceita de olhos fechados que as marcas limitem hardware. Que ainda por cima já pagámos na hora de comprar o processador apenas para engordar as margens de lucro das gamas profissionais.
Felizmente, a AMD não foi teimosa e decidiu ouvir os seus clientes.





