Alfa Romeo Giulia em 2026 – Infelizmente, com o avançar dos tempos, e otimização das tecnologias, plataformas, etc… A verdade é que os automóveis perderam muita da sua alma. Sim, há muita coisa boa na eletrificação e modernização. Mas também há muita coisa má, especialmente para os entusiastas que gostam de sentir cada curva no seu corpo.
No fim do dia, os carros modernos esqueceram-se do que interessa. Mas, este veterano ainda consegue dar uma lição!
Tivemos a oportunidade de fazer um ensaio de quase uma semana a um Alfa Romeo Giulia e, foi simplesmente brutal. Não porque estamos a falar do melhor carro do mundo, com mais cavalagem e potência pura. Porque isso não seria verdade. A questão aqui é que estamos a falar de um carro a sério, com um nível de pureza que já não é fácil de encontrar. De facto, já nem é fácil de encontrar dentro da gama mais recente da Alfa Romeo, que começa a cair no buraco negro da modernização.

Sim, podia estar aqui a falar de cavalos, binário, consumos, etc… Mas isso não corresponderia à realidade. Quando vês este Giulia, abres a porta, e entrar, o “feeling” não é o mesmo. Eu nem sou dos maiores especialistas automóvel à face da terra. Mas, a “aura” não é a mesma que tive em todos os outros testes. Parece que voltei atrás no tempo, na altura em que ansiava por conduzir a carrinha do meu pai sem ninguém me chatear a cabeça.
Claro que continua a existir tecnologia, temos todas as ajudas à condução, conexão ao smartphone, entre muitas outras coisas. Mas, a ligação do condutor ao carro é completamente diferente face à esmagadora maioria dos carros modernos, e isso é lindo de se ver e sentir.
Elegância sem berros e uma dinâmica de fazer inveja

O Giulia continua a apresentar um design muito Alfa Romeo. Que de facto nem é uma grande novidade no nosso mercado. Mas, ainda assim, a realidade é que hoje em dia todos os automóveis parecem cópias uns dos outros, e como tal, este carro chama a atenção. Tu sentes que estás ao volante, e quem passa ao teu lado pisca o olho. O que é estranho, mas é também bonito de se ver.
No fim do dia, esta é uma verdadeira aula de design italiano. E ainda bem que assim é. O Giulia sabe ser desportivo sem perder um pingo de classe.
Depois, no lado da condução, a realidade é que a direção é extremamente apontada. É ultra direta e comunica rigorosamente tudo o que se passa sob as rodas dianteiras. Rodas o volante, e ele vai. Em manobras não é o carro mais fácil movimentar devido ao fraco ângulo de viragem. Mas, em movimento, é pura e simplesmente incrível.

É exatamente por isso que, mesmo com os preços atuais dos combustíveis, tens vontade de conduzir até ir à reserva.
Mais de dez anos depois?
Com mais de uma década de mercado em cima, é óbvio que o Giulia não tem os computadores de bordo mais avançados do planeta nem as dezenas de ajudas eletrónicas que apitam a cada segundo nos modelos mais recentes. Ainda bem!
Vivemos numa era em que a engenharia mecânica pura perdeu espaço no marketing para o número de operações por segundo do processador do infotainment.

Um clássico moderno, se é que isto faz sentido.
Não é uma novidade no mercado. Mas, perante a evolução fria e sem alma de grande parte da indústria automóvel moderna, o brilhantismo e o carácter do Alfa Romeo Giulia tornaram-se ainda mais evidentes. Um automóvel de corpo inteiro feito para quem gosta de conduzir, e não para quem apenas quer ser transportado do ponto A ao ponto B.
Adorei a experiência.







