Quando estás aflito, com contas atrasadas e o telefone do banco a tocar, qualquer proposta que pareça uma saída soa a milagre. “Consolidamos as tuas dívidas”, “crédito rápido sem fiador”, “dinheiro em 24 horas” são frases que inundam as redes sociais e prometem uma tábua de salvação. Mas a verdade é que, por trás de muitas dessas ofertas, há uma armadilha que pode destruir completamente a tua vida financeira. Cuidado com quem quer ajudar quem tem dívidas.
A falsa ajuda que chega quando estás mais vulnerável
As empresas de crédito rápido sabem exatamente onde atacar. Anúncios dirigidos a quem pesquisa por “como sair das dívidas” ou “crédito urgente” aparecem em todo o lado e são feitos para soar como uma solução fácil. Mas o que muitos não percebem é que essas empresas ganham precisamente com o desespero das pessoas.
Os contratos estão cheios de letras pequenas, taxas escondidas e juros que fazem qualquer dívida crescer de forma absurda. Um crédito de 3.000 euros pode transformar-se em 10.000 euros a pagar, com taxas anuais acima de 20%. E se te atrasas um mês? Entra em jogo o juro de mora, as penalizações e até os “custos administrativos” tudo legal, tudo previsto.
Um crédito de 5.000€ que se tornou num pesadelo de 18.000€
Histórias reais multiplicam-se em fóruns e grupos de Facebook. Pessoas que aceitaram um crédito rápido “para limpar o nome” e acabaram a dever três vezes mais do que o valor inicial. Há casos em que as prestações são pagas religiosamente durante anos, mas a dívida nunca desaparece apenas muda de mãos, passando de uma financeira para outra.
“Prometeram-me que iam juntar tudo num só pagamento e que ia ficar mais leve. No fim, fiquei com mais uma dívida e um juro maior”, conta uma mulher de 42 anos, que hoje vive com o salário penhorado.
O problema é que estas empresas operam dentro da lei, usando brechas legais.
Não são agiotas: são financeiras registadas, com contratos, papel timbrado e um marketing quase profissional.
Ajudar quem tem dívidas: Taxas TAEG absurdas e a culpa é de quem não lê o contrato (ou não percebe)
Portugal tem uma das TAEG médias mais altas da Europa em créditos ao consumo.
A TAEG (Taxa Anual Efetiva Global) inclui todos os custos do empréstimo: juros, comissões e seguros obrigatórios. Mas poucas pessoas realmente entendem o que estão a assinar.
E é aí que mora o perigo: uma TAEG de 17% ou 19% parece “normal”, mas significa que vais pagar quase o dobro do valor emprestado.
Estas financeiras contam com isso. Sabem que quem pede o crédito muitas vezes não tem poder de negociação, nem tempo para comparar ofertas e aproveitam-se disso sem remorsos.
Quando a tábua de salvação te puxa para o fundo
Entretanto o ciclo é perverso:
Assim tens dívidas > Procuras ajuda > Pedes um crédito “para pagar os outros” > Ficas com mais uma dívida ainda maior.
É o chamado efeito bola de neve financeira, e está a arrastar milhares de famílias. E quando a situação foge do controlo, surgem as penhoras, os cortes no salário e até a perda de bens.
Em vez de resolver, estes créditos apenas adiam o inevitável e, no caminho, deixam marcas profundas na vida de quem só queria respirar.
O que fazer em vez disso
- Fala com o banco. É possível renegociar créditos diretamente com a instituição original.
- Procura ajuda na DECO ou num Gabinete de Apoio ao Sobreendividado é gratuito e pode salvar-te de uma ruína financeira.
- Desconfia de quem promete milagres. Quanto mais fácil parecer o crédito, maior o risco de te prender.
Entretanto nunca te esqueças: quem lucra com o teu desespero nunca está do teu lado.







