Já não queres saber do preço do combustível? Acredito, eu também não.
Todas as sextas-feiras fazemos o mesmo, ou seja, uma previsão daquilo que vai mudar na próxima segunda-feira. O problema é… Já se tornou rotina. Por isso, o português já não quer saber. Sobe hoje muito, desce amanhã pouco.
Parece que, no fim do dia é sempre para pagar mais. Aliás, nos dias que correm, nem o preço do petróleo parece fazer sentido face aos valores dos combustíveis. E quando se perde toda a lógica, o interesse vai logo a seguir.
Mas a realidade é que os preços não descem porque as gasolineiras também não querem. E de facto, o Governo também gosta de ver os valores altos. Além de tudo isto, o português olha, aceita, e pronto. É mais um dia a aguentar.
O carro não anda a água!

A verdade nua e crua, que a própria ERSE (o regulador do setor) desmascara de forma recorrente, é que o combustível nas bombas tem estado consistentemente mais caro do que o chamado preço de referência eficiente.
Ou seja, os revendedores aproveitaram que a expectativa do preço a pagar foi alterada para fixar um novo “mínimo” artificial, engordando as suas próprias margens de lucro à custa do bolso de quem trabalha. E por que razão as gasolineiras continuam a faturar sem medo? É simples! As pessoas não deixaram de querer saber, elas sentem-se é completamente impotentes.
Exceptuando aquele tipo clássico que vai à bomba e “mete sempre 20 euros”, a esmagadora maioria dos condutores portugueses simplesmente não tem alternativa viável no que diz respeito a transportes públicos.
No fim do dia, ou metes combustível e fazes a tua vida, ou… Fazes o quê?
Isto significa que, se precisas do carro para ir trabalhar, deixar os miúdos na escola ou fazer a tua vida diária, vais fazer o quê? Deixar o veículo na garagem? Claro que não. É uma dependência total, e o mercado sabe perfeitamente disso.
A fuga para os elétricos? Faz sentido?

É verdade que se vendem mais carros elétricos nos dias que correm, o que muito se deve aos preços dos combustíveis, e também à chegada de alternativas mais amigas da carteira, como é o exemplo do Aion UT ou Renault Twingo. Mas a realidade pura e dura é que, além de não ser possível para todos mudar de carro só porque sim, sendo exatamente por isso que se vendem tão poucos carros em Portugal ao longo do ano. Poucos são os condutores que podem carregar em casa e/ou no trabalho.
Comprar um elétrico para carregar nos postos públicos? É um pesadelo que não recomendo a absolutamente ninguém.
Enfim… Tu por aí, ainda te dás ao trabalho de andar à caça da bomba mais barata da tua zona ou já entraste em modo de desistência e assumes que o preço vai ser sempre um roubo?







