A Sky acredita que agir agora contra a IPTV ilegal pode ajudar a reduzir a exclusão digital, isto em vez de a agravar. Esta é a principal conclusão de um novo estudo sobre o futuro da televisão no Reino Unido, numa altura em que a transição para TV via Internet já não é uma tendência, mas sim uma realidade.
O relatório chama-se Stream On: The Future of UK TV (link) e foi encomendado pela Sky, com investigação conduzida pela consultora Oliver & Ohlbaum Associates. É algo que surge num momento crítico, em que o DCMS e a Ofcom estão a avaliar o futuro da distribuição televisiva no país.
A IPTV já é o presente, não o futuro!

Segundo o estudo, baseado num inquérito a 1.000 espectadores britânicos, 92% dos inquiridos já usam serviços de vídeo on-demand. Ou seja, a esmagadora maioria da população já vive num mundo de televisão baseada em Internet, mesmo que ainda mantenha algum contacto com o modelo tradicional.
Mais curioso ainda é o dado etário. 93% dos utilizadores dizem achar úteis as funcionalidades da TV conectada, um número que sobe para uns impressionantes 99% no grupo dos maiores de 70 anos. Ferramentas como controlo por voz, legendas melhoradas e audiodescrição são especialmente valorizadas por públicos mais velhos e por pessoas com limitações físicas.
O mito da exclusão digital começa a cair?
Um dos pontos mais fortes do relatório é a ideia de que a migração total para IPTV não tem de aumentar o fosso digital. Pelo contrário!
Ou seja, a Sky defende que, com investimento certo em formação digital e acesso a ligações acessíveis, todas as casas no Reino Unido poderiam ter acesso a TV via Internet a meio da próxima década. Aliás, os próprios consumidores preferem que o governo invista em inclusão digital, em vez de continuar a gastar dinheiro a manter sistemas de broadcasting antigos.
Nick Herm, COO do grupo Sky, resume a ideia de forma clara: uma transição bem planeada pode fechar o fosso digital, não abri-lo, e ainda poupar centenas de milhões em infraestruturas obsoletas.
Menos “soluções temporárias”, mais decisão clara
O que as pessoas querem é simples:
- Interfaces fáceis de usar
- Conteúdo agregado num único sítio
- Ambiente seguro e familiar
- Boa descoberta de conteúdos
É precisamente o que tornou o streaming popular… e o que também ajudou a normalizar a IPTV pirata.
Onde entra a pirataria nisto tudo?
O relatório não foge ao tema. A escolha, flexibilidade e simplicidade são apontadas como os grandes motores da mudança para IPTV. E isto aplica-se tanto aos serviços legais como aos ilegais.
Aliás, estão mais aplicados ao IPTV ilegal, porque é possível ter acesso a tudo em uma única app.
Entretanto, a Sky e os autores do estudo defendem que uma decisão política clara contra a IPTV ilegal, combinada com inclusão digital real, poderia reduzir drasticamente o número de casas desligadas da Internet. Segundo o modelo apresentado, um plano bem comunicado poderia baixar o número de lares sem ligação de 1.8 milhões para apenas 330 mil até 2034.
Conclusão
No final do dia, este relatório confirma algo que já se sente no dia a dia: A televisão tradicional está a morrer devagar, e o IPTV é o novo normal.
Entretanto, a grande questão não é se a mudança vai acontecer, mas como vai acontecer. Ou se o espaço vai continuar livre. Para quem? Claro que é para soluções piratas que fazem melhor, mais barato e com menos fricção.

