Durante anos, os monitores OLED foram vistos como aquele “sonho molhado” de quem gosta de boa imagem. Especialmente para quem gosta de jogar a sério. Afinal de contas, estamos a falar de pretos perfeitos, um contraste absurdo, resposta instantânea e um visual fino que faz qualquer IPS parecer antigo.
O problema é que há sempre uma pergunta que aparece, quase como um travão à compra. Quanto tempo é que isto dura? O OLED continua a ser conhecido pela sua fraca durabilidade, e isso acaba por meter um travão no seu crescimento.
Dito isto, a resposta não é tão simples como as marcas gostariam.
A teoria é bonita. Já a prática… Nem por isso.

Se fores ler as fichas técnicas, vais encontrar números muito simpáticos. 100 mil horas até perder metade do brilho. O que claro está, com contas feitas, dá mais de 10 anos de uso com 8 horas por dia. Parece ótimo.
O problema é que isso é medido em laboratório, em condições quase perfeitas, longe da realidade de quem trabalha, joga, navega e deixa o PC ligado horas a fio com barras, ícones e janelas sempre no mesmo sítio.
Isto significa que, na vida real, a história é outra.
Ou seja, na prática, a maioria dos monitores OLED começa a mostrar sinais de desgaste entre os 3 e os 5 anos. Claro que não deixam de funcionar, nem morrem de repente, mas a qualidade de imagem já não é a mesma. É exatamente por isso que a maioria das marcas só dá 3 anos de garantia para problemas específicos de OLED, como o famoso burn-in.
Não é coincidência.
O grande problema ainda se chama burn-in

Aqui não vale a pena andar com rodeios. O maior inimigo de um monitor OLED continua a ser o burn-in.
Não podes usar um ecrã OLED como usas um outro qualquer. Está muito melhor, isso é inegável. Porém, como cada píxel emite a sua própria luz, os materiais orgânicos vão-se degradando com o uso. Especialmente os píxeis azuis.
Assim, se tens elementos estáticos no ecrã durante muitas horas, como a barra de tarefas, menus, HUDs de jogos ou interfaces de trabalho, esses píxeis vão envelhecer mais depressa do que os outros.
A tecnologia também evoluiu
Nem tudo é negativo.

Os OLED de hoje não são os OLED de há 5 ou 6 anos. A chegada dos painéis QD-OLED, melhores sistemas de dissipação de calor e algoritmos de compensação ajudaram bastante a atrasar o problema.
Os monitores modernos trazem rotinas automáticas de manutenção, como refresh de píxeis, pequenos deslocamentos da imagem e desligar parcial do painel quando detetam inatividade. Tudo isto ajuda a distribuir o desgaste e a prolongar a vida útil.
Não faz milagres, e por isso continuam a durar menos tempo que os anteriores modelos LED. Mas, faz diferença.
Dá para prolongar a vida de um OLED? Dá.
Aqui entra o bom senso.
Se usares brilho máximo o tempo todo, estás a acelerar o desgaste. Se deixares sempre os mesmos elementos fixos no ecrã durante horas, o risco aumenta. E claro, se nunca desligas o monitor ou não deixas os sistemas de proteção fazerem o seu trabalho, estás a pedir problemas.
Com uso moderado, brilho ajustado e alguma rotação de conteúdos, um monitor OLED pode durar vários anos sem problemas graves. Não vai ser eterno, mas também não é um produto descartável como alguns gostam de pintar.
Então vale a pena ou não?
Em suma, depende de quem és e de como usas o PC.
A qualidade de um bom monitor OLED, está muito acima da qualidade do melhor monitor IPS LCD do mercado. Esta é a mais pura das verdades. É muito complicado teres um monitor OLED, e depois tentar voltar para um LED. É como andar com um Porsche em pista, e depois entrares no teu carrito do dia-a-dia. Não há comparação possível.
Dito tudo isto, se trabalhas muitas horas com interfaces fixas, barras e janelas sempre iguais, talvez um IPS de boa qualidade continue a fazer mais sentido. Se és gamer, consomes muito vídeo, gostas de imagem de topo e sabes o que estás a comprar, um OLED continua a ser uma experiência difícil de bater.
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