Depois de um setembro que foi um verão disfarçado com o calor a resistir teimosamente e temperaturas a chegarem aos 36-37 °C, há finalmente uma data para o fim da festa. Uma poderosa depressão está a formar-se no Atlântico e vai trazer de volta a chuva e uma descida acentuada das temperaturas a Portugal continental já nos próximos dias. Explicamos quando muda, o que esperar e o que é essa “bomba” no oceano.
Quando acaba o calor: a data da viragem
O calor ainda vai dar as últimas. Segundo as previsões (modelo europeu ECMWF, via Meteored), o continente mantém-se quente até ao fim da semana, com os termómetros a poderem ainda tocar os 36-37 °C em algumas zonas do interior e do Sul.

A mudança acontece por etapas:
- Domingo, 28 de setembro: começa a alteração pelo Norte e Noroeste, com mais nebulosidade e a possibilidade de alguma chuva fraca.
- Terça-feira, 29: uma frente fria organiza-se e atravessa o país, trazendo períodos de chuva, localmente moderada a forte.
- Quarta-feira, 30 de setembro: a viragem torna-se expressiva. Chuva em várias regiões e uma descida clara das temperaturas, também de noite e de madrugada, que ficam bem mais frescas.
Ou seja, setembro despede-se a “virar a página” do verão de vez.
O que é a “poderosa depressão” (e onde bate mesmo)
Tem-se falado de uma ciclogénese explosiva no Atlântico Norte. O nome técnico para uma depressão que se aprofunda muito rápido e se torna muito intensa (o núcleo pode descer aos ~952 hPa, um valor forte). É o que os media às vezes chamam de “ciclone-bomba”.

Mas aqui é preciso rigor, para não haver alarmismos. Essa depressão intensa vai atingir diretamente os Açores (entre domingo e segunda-feira, com chuva e vento fortes, pode até ser a primeira tempestade nomeada da época). No continente, o que chega não é o centro da depressão (que passa longe, a norte), mas sim a extensa frente fria associada a ela. Ou seja: no continente teremos chuva e descida de temperatura, não um “ciclone” a arrasar o país. É importante distinguir as duas coisas.
Os Açores em maior alerta
Para quem está nos Açores, a atenção deve ser redobrada: o arquipélago pode ficar mesmo na rota da depressão, com chuva forte e vento intenso a partir de domingo. Vale a pena acompanhar os avisos do IPMA para as ilhas nos próximos dias.
Uma ressalva importante
Como sempre nestes casos, convém guardar a devida cautela: as previsões para os dias 29 e 30 ainda têm alguma incerteza. A trajetória exata da depressão e o posicionamento das frentes podem mudar nas próximas atualizações dos modelos, o que alteraria a intensidade e a distribuição da chuva no continente. Não é uma certeza ao minuto, é a tendência mais provável neste momento.
Mas a mensagem principal, para quem anda a perguntar “quando é que isto refresca?”, é finalmente positiva. O fim do calor tem data marcada, a última semana de setembro, e outubro deverá começar já com outra cara. Depois de tanto tempo à espera, a chuva e o fresco estão quase a chegar. (Já tínhamos explicado a tendência para outubro neste artigo.)






