Já muitas vezes disse que apesar do facto de o mercado estar estagnado, e de tudo parecer, pelo menos quase sempre, mais do mesmo, ainda existem individualidades que fazem sentido dentro do mundo mobile.
Ou seja, a Apple é a Apple, a Samsung não consegue ser uma Apple, e uma Xiaomi não consegue ser uma Apple nem uma Samsung. É o que é, e ainda bem que assim. Cada uma tem o seu ADN. O problema começa quase sempre quando uma tenta copiar a outra.
Especialmente porque, nos tempos que correm, a Xiaomi pode muito bem começar a piscar o olho à posição número 2 do mercado, enquanto a Samsung começa a dar sinais de desgaste e a escorregar no pódio. Isto é a Xiaomi a ser Xiaomi. E é bonito de se ver.
A Xiaomi percebeu finalmente o que tinha de fazer!
Portanto, enquanto a Samsung decidiu lançar uma gama Galaxy S26 que, no final do dia, não é mais do que Galaxy S25 ligeiramente renovados e de facto mais caros, a Xiaomi decidiu fazer algo diferente. Diferente na estratégia. Diferente no posicionamento, e talvez mais importante que tudo isso, diferente na forma como fala com o consumidor.
Sim, é verdade que ainda não houve espaço para os modelos Pro e Pro Max com ecrã traseiro. E isso sabe a pouco para quem queria ver irreverência a sério.
Mas, mesmo assim, a Xiaomi fez algo mais importante.
Lançou aparelhos bons, a preços que fazem sentido, sem campanhas confusas, sem ofertas estapafúrdias que só complicavam a decisão de compra do consumidor final.
Os Xiaomi 17 e Xiaomi 17 Ultra chegam ao mercado português com especificações extremamente apelativas, um design apelaitov, e acima de tudo, uma campanha de lançamento que coloca as outras fabricantes a tremer.
Ou seja, os Xiaomi 17 são iguais ou superiores a qualquer outro topo de gama em praticamente todos os campos importantes. Mas são mais baratos. Porque a Xiaomi percebeu que não é uma Apple, nem tem de ser uma Samsung.
A Xiaomi tem de ser a Xiaomi.
Como assim? Simples.
Em 2026, a Xiaomi decidiu finalmente deixar para trás as campanhas estranhas de oferta de televisões, tablets, relógios e afins. Em vez disso, fez algo muito mais direto e honesto. Desconto imediato. Sim, isso pode afetar o valor do produto aos olhos do consumidor.
Mas isso é uma forma muito Apple ou Samsung de ver as coisas. A Xiaomi é a Xiaomi, e o “preço Xiaomi” deve ter sempre uma palavra a dizer. Assim…
- 200€ de desconto no Xiaomi 17 Ultra.
- 150€ de desconto no Xiaomi 17.
Pode parecer estranho, eu sei. No papel, oferecer uma TV ou um tablet “vale mais dinheiro”. No ano passado, por exemplo, a compra de um Xiaomi 15 Ultra oferecia um tablet que supostamente valia 399€. Um valor superior aos 200€ de desconto direto deste ano.
Mas vamos ser honestos. Queres mesmo um tablet? Ou ias vendê-lo?
Se a ideia era vender, nunca irias recuperar os 399€. Irias competir com dezenas ou centenas de unidades iguais no mercado de usados. Se conseguisses tirar 150€, já era uma vitória. E claro, com mais trabalho pelo meio.
Era mau para todos.
O consumidor tinha trabalho extra, recebia menos dinheiro do que o “valor anunciado”, e no fim do dia existia um produto completamente desvalorizado no mercado paralelo, a destruir o seu próprio posicionamento.
Agora é diferente. Desconto no preço final. Ponto.
E é aqui que se nota maturidade estratégica. A marca deixou de tentar parecer maior do que é, e começou a jogar com inteligência dentro do espaço que realmente ocupa. Num mercado onde muitos sobem preços só porque sim, ver uma marca ajustar estratégia e simplificar a proposta de valor… é refrescante.
É a Xiaomi a ser, finalmente, a melhor versão dela própria.










