Se há coisa que a Microsoft fez bem no mundo dos videojogos foi ter inventado o conceito moderno de Conquistas (as famosas Achievements) lá atrás, na velhinha Xbox 360, em 2005.
Foi uma autêntica pedrada no charco que mudou para sempre a forma como jogamos.
Só que a Sony, que não dorme em serviço, olhou para a ideia, refinou o conceito na PS3 e criou algo infinitamente mais viciante e gratificante: o Troféu Platina.
Estamos a falar dquele som metálico que acompanhava a sensação de limpar 100% de um jogo. É algo que rapidamente se transformou num símbolo de estatuto para qualquer jogador a sério. E o que fez a Microsoft durante quase duas décadas? Absolutamente nada.
Pois bem, parece que a equipa de Redmond finalmente acordou para a vida! Vêm aí as “Mythic Achievements” (Conquistas Míticas), uma cópia descarada do troféu de Platina da rival japonesa desenhada para quem adora virar os jogos do avesso.
Na realidade, a novidade já andava a ser cozinhada em banho-maria desde o verão, com pistas deixadas no X pela liderança da Xbox e com os primeiros códigos a saltar cá para fora através dos utilizadores do programa Xbox Insider e da aplicação para PC. Agora, a confirmação é praticamente total.
Como vai funcionar a “Platina” do lado verde?

A premissa não inventa a roda, e ainda bem. Isto porque o sistema da PlayStation já funcionava na perfeição. A Microsoft desenhou a funcionalidade exatamente a pensar nos jogadores que gostam de completar tudo até ao último milímetro:
- O selo dos 100%: Sempre que desbloqueares todas as conquistas do jogo base, recebes automaticamente a Conquista Mítica correspondente. Tal como acontece no ecossistema rival, as conquistas de DLCs, expansões ou conteúdos adicionais pagos ficam de fora da equação para não estragar a festa a ninguém.
- Efeitos visuais e som próprio: Ao desbloquear este marco, vais ter direito a uma animação de sistema personalizada no ecrã, sons próprios e um distintivo exclusivo. No teu perfil público, os jogos terminados a 100% vão ostentar uma moldura verde especial, uma estrela verde e louros a destacar a proeza.
- Zero Gamerscore associado: Um detalhe muito curioso: a Conquista Mítica não vai dar pontos adicionais para o Gamerscore. Serve puramente como troféu de exibição e contagem de jogos platinados no perfil.
- Retroativo: A melhor notícia de todas para os veteranos da consola é que não vais precisar de jogar tudo outra vez. Assim que o sistema entrar em vigor, o registo vai vasculhar o teu historial e atribuir as Conquistas Míticas a todos os jogos do catálogo que já tenhas completado no passado.
Vinte anos depois?
Custa a perceber como é que uma empresa com os recursos da Microsoft demorou tanto tempo a perceber o valor simbólico disto. Ter 150.000 pontos de Gamerscore não diz rigorosamente nada a ninguém. Podes ter feito essa pontuação a jogar trinta títulos da treta comprados em saldos a dois euros que oferecem mil pontos em dez minutos.
Um Troféu Platina na PlayStation, por outro lado, tem peso próprio. Bater no peito e mostrar que platinaste um Elden Ring ou um Dark Souls é algo que se entende ao primeiro olhar. A Microsoft passou duas gerações inteiras a ver os seus próprios jogadores a pedir um sistema de recompensa final idêntico para destacar os títulos que realmente foram explorados até à exaustão.
Andaram anos a mexer na interface da consola, a redesenhar a barra de progresso em abril deste ano, mas a peça que faltava no puzzle era precisamente esta sensação de fecho e conquista.
Antes de mais nada, o que pensas sobre isto? És daqueles que adora completar os jogos a 100% e sentias falta de uma “Platina” na Xbox, ou para ti os troféus e conquistas passam-te completamente ao lado enquanto a jogabilidade for boa?






