A obsessão da indústria automóvel em meter tudo dentro de ecrãs táteis e barras de toque ia sempre acabar por dar para o torto. Os condutores gostam de tecnologia, mas também gostam de coisas simples e funcionais. Sim, eu até gosto de ter um ecrã enorme na consola do carro. Mas, ter de andar à procura de uma qualquer definição, quanto antigamente bastava carregar num botão… É algo que não fez, nunca fez, nem nunca vai fazer grande sentido.
Dito tudo sito, durante anos, entrar num carro novo da Volkswagen passou a ser um teste de paciência. Querias aumentar o ar condicionado à noite ou mudar o volume no volante e tinhas de andar a deslizar o dedo em superfícies táteis manhosas que nem sequer tinham luz de fundo. Mas, a marca Alemã meteu a mão na consciência e disse “não, isto é parvo”.
Ou seja, em declarações recentes à imprensa alemã, o responsável de controlo de qualidade da VW admitiu com todas as letras que a decisão de matar os botões físicos nos elétricos da família ID não passou de um tiro no escuro sem dados reais dos clientes.
A ilusão de transformar o tablier num smartphone gigante

A justificação da marca na altura parecia futurista no papel, mas revelou-se um desastre na vida real.
Ou seja, como os carros elétricos representavam uma revolução na mecânica, os departamentos de design acharam que tudo à volta tinha de parecer saído de um filme de ficção científica. Foi aí que decidiram que os comandos rotativos de volume e climatização eram coisas do passado e que o futuro pertencia aos cursores táteis capacitivos.
Só que a Volkswagen esqueceu-se do detalhe mais óbvio. Quem compra um carro elétrico quer uma motorização eficiente e silenciosa, não quer aprender a pilotar uma nave espacial enquanto tenta não bater contra o carro da frente na autoestrada.
Um botão rotativo para o volume ou um interruptor de clique para o ar condicionado não ficam obsoletos só porque o motor é a bateria. A memória muscular e a ergonomia ao volante continuam a ser fundamentais para a segurança.
A marcha-atrás da VW e o regresso do bom senso!
O próprio diretor executivo da marca já tinha reconhecido que esta teimosia tátil causou um estrago brutal na reputação da empresa. Agora, a nova vaga de veículos, como o ID.3 Neo, o ID. Polo e o ID. Cross, está a corrigir a rota a toda a velocidade, trazendo de volta botões táteis dedicados no volante, botões individuais para cada janela e comandos de climatização tradicionais e iluminados.
Claro que não vamos ter um regresso total dos botões, até porque não é preciso ir do 8 ao 80. Mas, vamos absolutamente encontrar habitáculos muitos mais interessantes e práticos. Até porque, além de serem infinitamente mais práticos e seguros para mexer sem tirar os olhos da estrada, os botões com clique sólido dão uma sensação de construção robusta e acabamento premium que nenhum pedaço de plástico tátil barato consegue igualar.
A inovação tecnológica é essencial, mas mudar o que funciona perfeitamente apenas para parecer moderno é um dos maiores erros da indústria recente. Fica a lição para a Volkswagen e para todas as outras marcas que achavam que o consumidor queria viver refém de menus táteis e dedadas no ecrã.







