Durante décadas, a televisão foi o centro da sala e o centro da tecnologia para a grande maioria das pessoas. Era aquele investimento grande, porque também era onde tudo acontecia. Aliás, era daqueles investimentos que por vezes até durava mais anos que o carro.
É e sempre foi um produto importante, e é assim há várias gerações. Basicamente porque todos na família davam valor à TV. Na verdade, isto até me faz lembrar de algo interessante e engraçado. Afinal de contas, antes de existirem comandos, o comando desta casa era eu, sempre debaixo dos olhares brincalhões do meu pai e irmão mais velho.
Hoje? Se não acabou, está completamente diferente. O que tens pendurado na parede já não é uma “Televisão” no verdadeiro sentido da palavra. É apenas um monitor grande, cada vez mais inteligente, e de facto cada vez mais barato, à espera que tu lhe digas o que fazer, normalmente a partir do smartphone.
Mudou o paradigma. Especialmente porque nem precisas de uma TV para ver TV.
O hardware deixou de ser especial?
Basta ir a qualquer loja para perceber o que está a acontecer.

Hoje em dia, ter um ecrã gigantesco é extremamente fácil, porque é acessível a qualquer família. Houve alturas em que ter algo acima das 50 polegadas era considerado luxo. Hoje? Podes ter um ecrã de 65” ou mais, sem ser necessário vender um rim no mercado negro.
De facto, o painel, a não ser que queiras ir às tecnologias mais recentes, deixou de ser diferenciador e passou a ser um produto comoditizado.
As fabricantes já perceberam isto há muito tempo.
É exatamente por isso que há um foco cada vez maior nos serviços e add-ons, em vez da TV em si. Aliás, é cada vez mais comum ver TVs a passar anúncios publicitários, muitas vezes sem o consumidor dar conta disso.
Os sistemas proprietários perderam a guerra
Durante anos, marcas como Samsung e LG tentaram convencer-nos de que os seus sistemas operativos eram o futuro. Tizen, webOS e afins prometeram ecossistemas fechados, controlados, mas ainda assim otimizados.
Porém, isso já não faz sentido. Os consumidores querem ecossistemas com tudo, e não coisas “fechadas”. É por isso que o Google TV está cada vez mais popular, apesar dos seus defeitos. Isto porque serve de extensão ao que já temos no bolso. Funciona, é rápido, e tem suporte a tudo.
Podes ver TV em qualquer ecrã!
Outro problema para a TV.

Se quiseres ver canais de TV, ou qualquer outro tipo de conteúdo multimédia, não precisas de o fazer a partir de uma televisão. Podes usar o teu smartphone, computador, tablet, e na loucura até o teu relógio.
Deixou de ser aquele aparelho que era mesmo obrigatório, para começar a ser apenas um extra que pelas suas dimensões oferece outra experiência.
E agora?
A Smart TV enquanto dispositivo inteligente autónomo morreu. A TV não vai obviamente voltar ao antigamente, até porque isso não faria grande sentido. Porém, vai ficar cada vez mais “extra” em vez de algo “essencial” .
O futuro pertence às marcas que aceitarem isto sem tentar controlar o utilizador. Bons painéis, boa qualidade de imagem, preço agressivo e o mínimo de interferência possível. Tudo o resto vive no smartphone.
O que tens na parede já não é uma TV. É só um monitor à espera da tua vida digital. Mas isso acaba por ser bom. Porque até as melhores TVs têm de aparecer no mercado a preços competitivos.

