Se tens andado a acompanhar o Mundial de Futebol por estes dias, é muito provável que já te tenhas cruzado com a LiveModeTV no YouTube. É um projeto que chegou a Portugal com uma premissa muito simples… Dar os jogos de borla, sem assinaturas, com uma linguagem virada para os mais jovens e com muita interatividade à mistura.
No fundo, trouxeram para cá a fórmula de sucesso que já usavam no Brasil com a CazéTV e a verdade nua e crua é que os resultados estão a rebentar com a escala.
É óbvio que há problemas, e que o conteúdo não é do agrado de todos. O que é normal, é até natural. Os portugueses não são fãs da mudança, e é factual que os comentários estão muito longe daquilo que é considerado o normal.
Mas o sucesso da LiveModeTV significa que vai de facto existir mudanças na forma como se faz e consome TV. Na minha opinião… Ainda bem!
A TV em Portugal vai mudar? Ainda bem!
Portanto, estive a acompanhar uma entrevista recente de João Mesquita, o diretor-geral da operação em Portugal, e há vários pontos interessantes que merecem uma análise, até porque este canal, que tem Cristiano Ronaldo como sócio de referência, veio para revolucionar a forma como consumimos desporto por cá.
E isto é preciso salientar: a LiveModeTV não é uma aventura de verão para o Mundial. Vieram para ficar a longo prazo. Aliás, vieram com novidades, muito investimento e uma recusa total em ser um “canal tradicional”.
Querem um exemplo prático? Por estarem no YouTube, não sofrem com aquelas restrições horárias rígidas da Lei da Publicidade que impedem as televisões de passar anúncios de apostas desportivas ou bebidas alcoólicas antes das 22h00. É outra liberdade.
Outro exemplo dessa flexibilidade aconteceu há dias. O público votou em massa que preferia ver o jogo de Cabo Verde à uma da manhã em vez do Espanha às 17h00. O que é que eles fizeram? Pegaram nos direitos que compraram à FIFA, renegociaram o horário e mudaram a emissão num piscar de olhos para dar o que a malta queria. Tentem pedir uma coisa destas à TV tradicional e vejam a resposta…
Como é o modelo de negócio?
É puro marketing de integração, focado em patrocínios e parcerias com grandes marcas (como a Coca-Cola, McDonald’s ou Betclic) que entram diretamente na dinâmica das emissões em formato de “conversa de amigos”. A promessa que fizeram aos anunciantes era ter uma média de 150 mil dispositivos ligados por jogo, mas os números reais já estão bem acima disso.
Mas a parte que me chamou mais a atenção foi a abordagem em relação aos canais pagos, como a Sport TV ou a DAZN. Num mercado como o nosso, onde os direitos do futebol estão estupidamente inflacionados para um país de 11 milhões de habitantes, a LiveModeTV não quer comprar tudo. Até porque o modelo gratuito não sustentaria isso. A ideia deles é ser a “boca do funil”.
Este canal digital vai buscar aquele público mais jovem que já não quer saber da TV tradicional, mete-os agarrados ao futebol com sondagens e chats em direto no YouTube e, se eles se tornarem consumidores hardcore, vão acabar por saltar para os canais premium para ver o resto dos jogos que não dão ali. Ou seja, pelo menos por enquanto, são um complemento e não um substituto.
Mas… Há conversas muito interessantes nos corredores!
Para o pós-Mundial, as conversas para garantir novos direitos já rolam nos bastidores e a meta é ambiciosa: expandir para outras modalidades desportivas e chegar aos 7 milhões de portugueses que usam o YouTube.
A mim parece-me óbvio que a televisão como a conhecemos está a mudar a passos largos e plataformas como esta são o futuro. Tu por aí, tens acompanhado o Mundial pela LiveModeTV ou ainda preferes o formato tradicional dos canais habituais?





