Quantas vezes já foste a uma grande superfície comprar uma televisão e ficaste ali parado no corredor, a olhar para trinta modelos diferentes, a pensar que tinhas um mundo de escolhas à tua frente? Vês logótipos da Philips, da Panasonic, da Sony e até da rival Samsung.
De facto, parece que o mercado está cheio de fabricantes a lutar taco a taco para criar o melhor painel do planeta. Pois bem, as coisas não funcionam assim já há alguns anos. Na esmagadora maioria dos casos, estás a olhar para exatamente o mesmo painel OLED escarrapaxado em corpos produzidos por fabricantes diferentes. A realidade é que a LG domina o OLED de grandes dimensões. E não há muito a fazer.
Ou seja, o mercado global de ecrãs é uma autêntica ilusão de escolha, e de facto nem é apenas e só no lado OLED da coisa.
Tudo isto significa que, enquanto a maioria das marcas se limita a desenhar a carcaça de plástico, calibrar o processador de imagem e colar o seu autocolante na moldura, o verdadeiro coração da televisão (o painel de vidro que emite a luz e a imagem) é dominado por um duopólio sul-coreano feroz, onde a LG Display manda e desmanda no formato de grandes dimensões.
A teimosia da LG que destruiu a concorrência?

Isto é curioso, porque ao contrário do que muita gente pensa, a LG não foi a pioneira nos televisores OLED. A Sony lançou o primeiro modelo comercial ainda em 2004 e a Panasonic andou anos a queimar pestanas com protótipos em laboratório.
O problema é que, naquela altura, produzir painéis grandes sem defeitos era um pesadelo de custos e taxas de avaria. O resultado? Em 2011, tanto a Sony como a Panasonic atiraram a toalha ao chão e desistiram da tecnologia por acharem que não era comercialmente viável.
A LG fez precisamente o oposto! Dobrou a aposta, investiu milhares de milhões no desenvolvimento da sua tecnologia WOLED e conseguiu a proeza de produzir o primeiro painel de 55 polegadas em massa a um preço que as pessoas conseguiam pagar.
Entretanto, quando a concorrência percebeu o erro colossal que tinha cometido ao abandonar o barco, já era tarde demais. Marcas como a Philips, a Panasonic e até a própria Sony tiveram de engolir o orgulho e ir bater à porta da LG Display para comprar os ecrãs que metem nas suas televisões de topo. E de facto, isto é muito mais barato do que produzir do zero.
A coisa atingiu proporções tão absurdas que até a arqui-rival Samsung, que domina o segmento dos pequenos ecrãs para telemóveis e monitores com a sua tecnologia QD-OLED, foi obrigada a fechar contratos multimilionários com a LG para comprar painéis WOLED tradicionais para alimentar algumas das suas linhas de televisores de grande formato.
O perigo que vem da China: O império vai tremer?

Com as vendas de televisores OLED a crescerem mais de 20% só no último trimestre e o mercado a caminhar a passos largos para os 100 mil milhões de euros nos próximos anos. A verdade é que a vida não vai continuar fácil para quem domina atualmente.
Afinal, gigantes chinesas como a BOE, a CSOT e a Visionox já controlam mais de metade das receitas de ecrãs OLED em smartphones e portáteis. Isto à custa de volume massivo e preços da chuva.
Essa pressão brutal está a empurrar a LG e a Samsung para o topo da pirâmide, obrigando-as a abandonar as gamas mais baratas para se concentrarem exclusivamente nos painéis premium e de formatos gigantes onde a precisão de fabrico ainda dita leis.
Mas até que os fabricantes chineses consigam replicar a escala e a durabilidade dos painéis de grande porte da LG sem comprometer a qualidade… A realidade das lojas, e dos preços, continua a ser a mesma de sempre: compres a marca que comprares para meter na parede da sala, é a tecnologia da LG que vai estar a brilhar à tua frente.







