Estamos a viver uma altura do campeonato que é o mundo da tecnologia que é… Estranha. É mesmo muitíssimo estranha. As fabricantes andam a lançar produtos que não são melhores, de facto muitas vezes são piores, e estão a pedir mais dinheiro por esses mesmos produtos.
O que me faz levantar a questão: para quê lançar de todo?
Isto está a acontecer nos smartphones, nos portáteis, nas placas gráficas e em muitos outros produtos.
Aliás, basta olhar para o Redmi Note 17 Pro Max, que é mais caro, mas que não é, de todo, superior ao Redmi Note 15 Pro+ da geração anterior. De facto, é até bastante pior em vários detalhes-chave naquilo que é o uso de um smartphone nos dias que correm. Como é óbvio, podemos também olhar para os novos Pixel 11, que perderam memória e ficaram mais caros, ou mais notavelmente para os novos iPhone 18 Pro e Pro Max, que são superiores, mas não parecem ser suficientemente melhores para convencer os consumidores a optar pela nova aposta.
É mesmo necessário lançar produtos todos os anos?

Antigamente, quando uma marca anunciava a nova geração de um telemóvel, computador ou placa gráfica, sentia-se um salto palpável. Até podia ser um produto mais caro, mas notavas a diferença na fluidez no primeiro minuto, a câmara dava um salto brutal à noite e o ecrã deixava o modelo antigo a parecer uma relíquia.

Hoje em dia, a indústria entrou num ciclo vicioso puramente cosmético, alimentado por calendários de marketing obrigatórios e por acionistas que exigem relatórios de receitas trimestrais a subir a todo o custo. O resultado é deprimente para qualquer pessoa que perceba o mínimo de tecnologia:
O mercado de consumo está saturado e o consumidor comum começa a abrir os olhos.
Eu acredito que os novos iPhone vão continuar a vender bem. Apesar de alguns valores mais baixos a uma escala global.
Mas, as outras marcas? E nos outros mercados? Duvido.
Ninguém no seu perfeito juízo precisa de trocar de smartphone todos os doze meses quando o modelo de há dois ou três anos continua a fazer rigorosamente o mesmo. E, agora, muitas vezes com mais qualidade.
Se as marcas dessem um passo atrás, abrandassem o ritmo e passassem a lançar produtos apenas de dois em dois anos com melhorias substanciais e preços honestos, toda a gente ganhava. Poupava-se o ambiente do lixo eletrónico desnecessário e o consumidor voltava a sentir o entusiasmo genuíno de estrear uma máquina nova.






