O futebol em Portugal está a morrer, com preços absurdos e bacandas vazias. Mas, a culpa não é só dos clubes, é da Sport TV que manda nisto tudo!
Pois bem, estava a dar minha voltinha pelo Reddit, quando me deparo com esta thread. Que claro está, toca num assunto extremamente interessante acerca do futebol em Portugal. Que também tem de bater de frente com o assunto da centralização.
Sim, a centralização dos direitos televisivos tem a grande missão de aumentar a competitividade, ao dar uma fatia maior a todos os clubes da primeira e segunda liga. Mas, fora os jogos em casa e deslocações dos três grandes, e as receções calorosas em Guimarães ou Braga, o nosso futebol de bancadas é um autêntico deserto.
Estamos a falar de estádios despidos, meia dúzias de adeptos a bater palmas no meio de cadeiras de plástico vazias e um silêncio constrangedor que quase nos faz ouvir o que os treinadores gritam do banco. E, curiosamente, isto é uma consequência do domínio de uma plataforma.
Estamos a falar da Sport TV e da ditadura dos horários televisivos.

Num mundo perfeito, o futebol de fim de semana devia ser uma tradição familiar simples. Almoçar com calma, pegar nos miúdos ou juntar os amigos, ir à bola às 15h ou às 17h de um sábado ou domingo e regressar a casa com tempo para descansar, e jantar ao mesmo tempo que se discute o que aconteceu em campo.
Mas, por cá, os jogos têm de ser quase sempre à noite. Quem manda não é o adepto que quer ir ao estádio, mas sim a grelha de programação de um canal por cabo.
Jogos ao domingo às 21h15 e segundas-feiras à noite: Quem é que aguenta isto?

Portanto, para evitar a todo o custo que dois jogos decorram à mesma hora, espalham-se partidas entre sexta-feira à noite, sábados e domingos às 20h30 ou 21h15 e a clássica segunda-feira de trabalho.
Quem é que no seu perfeito juízo pega nos filhos pequenos a um domingo às nove da noite para ir ao estádio sabendo que há escola e trabalho às oito da manhã de segunda? Como é que alguém que mora a 30 ou 40 quilómetros da cidade do seu clube se mete na estrada a essas horas? A prioridade das entidades desportivas deixou de ser colocar pessoas nos estádios… E isso é grave.
É possível recuperar as bancadas sem partir o modelo da televisão?
É evidente que a Sport TV é um negócio privado e que, depois de desembolsar centenas de milhões de euros pelos direitos de transmissão, vai tentar espremer cada cêntimo da sua grelha. Isso faz todo o sentido, e apesar das muitas críticas, acaba por ser um assunto onde não se pode mxer muito.
Até porque a televisão é um pilar financeiro vital para os clubes sobreviverem.
Mas é urgente encontrar um ponto de equilíbrio. Dois ou três blocos fixos ao fim de semana, aceitar jogos em simultâneo com naturalidade (como acontece nas grandes ligas europeias que continuam a encher estádios) e reservar as segundas-feiras para casos verdadeiramente pontuais devolveria a dignidade aos adeptos e traria de volta a mística do campeonato.
O problema é que, com os clubes asfixiados financeiramente e totalmente reféns das receitas das transmissões, ninguém tem coragem de bater o pé.
Assim, enquanto a receita televisiva ditar todas as regras, o adepto continuará no fim da lista de prioridades e os nossos estádios continuarão a parecer cenários fantasmas, e isso acaba por destruir tudo o resto. Afinal de contas, em quantos jogos lá fora vês bancadas vazias? Em Portugal é o inverso… Raro é o jogo (fora os 3 grandes) onde as câmaras não estão a filmar bancadas com meia dúzia de gatos pingados.







