A Sony já não quer saber de vender mais consolas PS5? O patrão da PlayStation diz que a crise veio na altura perfeita! Curioso não é?
Quantas vezes já dissemos aqui na Leak.pt que esta geração de consolas é a mais diferente de sempre. Fica até a ideia de que o mercado está completamente virado do avesso? Afinal, normalmente, à medida que os anos passam, o hardware vai ficando mais maduro, os custos de produção caem a pique e as consolas sofrem cortes de preço agressivos para chegar à casa de toda a gente.
Aliás, quando ainda pedia consolas e jogos aos meus pais, ouvia sempre “calma filho, que vai baixar e depois o pai compra”. Agora? Ou compras logo, ou se calhar já nem compras tal é o abuso nos preços. A PS5 e a Xbox Series X foram subindo de preço e, com a loucura da Inteligência Artificial a devorar os chips de memória nos servidores, comprar tecnologia virou um luxo para poucos.
No entanto, se achavas que a Sony andava desesperada a perder noites de sono com a quebra na venda de consolas, desengana-te. O próprio CEO da marca, Hiroki Totoki, veio a público admitir numa entrevista recente ao The Wall Street Journal que o impacto da crise das memórias na PS5 até foi uma sorte do ponto de vista estratégico.
“Apanhámos a crise na segunda metade do ciclo”: O hardware já não é a prioridade!

A justificação da Sony é fria e puramente matemática. Mas, ainda assim muito curiosa.
Ou seja, com mais de 92 milhões de unidades da PlayStation 5 já despachadas para o mercado a nível global, a esmagadora maioria das pessoas que realmente queriam uma PS5 já a tem na sala. De facto, a marca sabe que a máquina já entrou na segunda metade da sua vida útil e, por isso mesmo, vender caixas de plástico com margens no limite deixou de ser o motor principal do negócio.
Assim, em vez de gastar fortunas em campanhas de marketing agressivas para tentar enfiar consolas à força a quem ainda não comprou, a estratégia da Sony virou mudou
- Foco absoluto no software e subscrições: A prioridade máxima passa agora por monetizar a base gigante de jogadores que já tem a consola ligada à TV, puxando com força pelas assinaturas do PlayStation Plus e pelas vendas digitais.
- Adaptações para cinema e séries: Transformar as grandes sagas da marca (como The Last of Us ou Horizon) em fenómenos multimédia para atrair receitas fora do ecossistema direto dos comandos.
- Aguentar o barco até à PS6: Como a data de lançamento da próxima geração continua em aberto devido aos custos proibitivos dos componentes, é a faturação recorrente dos serviços que vai garantir os lucros milionários da divisão PlayStation nos próximos anos.
Para o consumidor, o que sobra?
Esta “sorte” de que fala o patrão da Sony serve os interesses dos acionistas. Mas, para quem está do lado de cá do balcão a realidade é amarga. Vimos a Nintendo a ser obrigada a subir o preço da Switch 2. A AMD e NVIDIA a encarecer placas gráficas. E claro, os kits de memória RAM para PC a disparar. Além de tudo isto, vimos as consolas de secretária a manterem etiquetas que afastam qualquer comprador casual.
A Sony já não precisa de cortar nos preços da PS5 para dominar o mercado. Isto porque a concorrência direta está presa exatamente no mesmo lodo dos custos industriais. Quem quiser comprar uma máquina de jogos hoje tem duas opções. Ou espera pelas habituais promoções da época natalícia, ou prepara-se para pagar bem mais do que aquilo que se pagava no lançamento em 2020.






