O fim de uma era: Porque é que os carros elétricos estão a matar a rádio AM? – Isto está a acontecer em todos os carros modernos, mas com um maior foco nos carros elétricos. Porquê?
Bem, nem todas as tecnologias que encontramos nos automóveis duram para sempre. Isso acontece com muita coisa que já apareceu e do nada deu espaço a outras coisas. Como é o exemplo dos faróis escamoteáveis, os cinzeiros nas portas e os cintos de segurança automáticos, que, claro está, desapareceram por completo das linhas de produção. Mas a verdade é que esses eram extras mais estéticos do que propriamente essenciais. Já a rádio sempre foi a alma das viagens.
A capacidade de sintonizar frequências AM e FM enquanto conduzimos pela autoestrada parece algo tão fundamental. Como é ter quatro pneus e pedais debaixo dos pés. No entanto, à medida que os veículos elétricos (EVs) continuam a inundar o mercado, há um pormenor que começa a desaparecer silenciosamente: a rádio AM.
Porquê?
O pesadelo da interferência eletromagnética nos motores a bateria?
A razão principal para este desparecimento não é o desinteresse do público, mas sim um problema físico nos carros modernos: a interferência eletromagnética.
Ou seja, os motores (cada vez mais potentes) dos carros elétricos geram frequências e campos magnéticos que operam exatamente no mesmo comprimento de onda que as transmissões de rádio AM. Como seria de esperar, esta batalha de frequências resulta num ruído estático insuportável. E, claro, numa quantidade de interferências com que o sinal analógico simplesmente não consegue competir.
É por isso que várias marcas de referência, como é o exemplo da BMW e da Tesla, decidiram cortar o mal pela raiz. Ao remover a rádio AM dos seus modelos.
Sim, é verdade que as frequências AM e FM já não têm o peso de outros tempos, fruto da evolução da internet, das redes móveis e dos sistemas de satélite que nos trouxeram os serviços de streaming de música e os podcasts. No entanto, para além dos programas de debate e das notícias locais, as frequências AM são historicamente a base para a transmissão de alertas de emergência pública. Talvez não tanto em Portugal, mas em muitas regiões por esse mundo fora.
Por isso, ficar sem esta ferramenta de segurança rodoviária é algo que muitos condutores não aceitam com facilidade. De facto, nos Estados Unidos, existem esforços para obrigar as construtoras a manter a rádio AM nos seus veículos novos, a partir da legislação “AM Radio for Every Vehicle Act”.
Mas numa altura em que existem dezenas de alternativas digitais gratuitas para ficar a saber tudo o que se passa na estrada, a realidade é que é um esforço um pouco em vão.
De facto, as marcas de veículos elétricos não têm qualquer interesse em manter a rádio analógica viva, uma vez que isolar os cabos e blindar os sistemas para proteger o sinal AM das interferências do motor custaria milhares de milhões de euros à indústria automóvel em 2026. E os condutores também não deveriam estar agarrados ao passado só porque sim.





