A eterna guerra das consolas está prestes a entrar num capítulo completamente louco e sem precedentes na história do entretenimento digital. O que até faz algum sentido, visto que o mercado está a mudar a um ritmo que muitos achavam impensável.
Dito tudo isto, depois de meses de rumores a apontar para atrasos provocados pela crise de semicondutores, eis que o reputado leaker da AMD, Kepler_L2, vem a público deitar ainda mais achas para a fogueira. Isto porque, os chips da PlayStation 6 e da próxima consola da Microsoft (conhecida pelo nome de código Xbox Project Helix) já fizeram o famoso tape-out (o desenho de silício foi finalizado para produção em massa), apontando baterias para o final de 2027.
E os números de desempenho teórico acabaram de rebentar nos fóruns.
A nova Xbox vai humilhar a PS6 em força bruta? E o preço?

Portanto, ao que tudo indica, a máquina da Microsoft parece um monstro autêntico! Estamos a falar de 56 TFLOPS contra os 40 TFLOPS da futura PS6, o que dá uma vantagem bruta de 40% a favor da equipa de Redmond!
Só que, antes de começares a festejar a vitória da força bruta, convém puxar de uma calculadora e olhar para o verdadeiro pesadelo que se esconde no meio de tudo isto. Como estamos fartos de dizer, as consolas de próxima geração arriscam-se a quebrar a barreira dos 1.000 euros nas lojas!
Assim, andámos anos a discutir se os teraflops importavam ou não, mas a verdade é que a indústria está a caminhar a passos largos para um beco sem saída financeiro. Se a consola for um poço de cavalagem mas ninguém conseguir pagar o bilhete de entrada, de que serve ter o melhor silício do planeta?
56 TFLOPS contra 40 TFLOPS: O massacre?

Os números de Kepler_L2 corroborados por outros canais como o Moore’s Law Is Dead mostram que a Microsoft e a Sony escolheram caminhos de engenharia radicalmente distintos para a geração que chega em 2027. Algo que não costuma ser muito comum no mundo das consolas moderno.
- PlayStation 6 (“Orion”): A Sony foi pelo caminho da contenção e da eficiência. Apresenta um chip monolítico com cerca de 280 mm² (processo TSMC N2 ou N3 otimizado), combinando 8 núcleos Zen 6c com 2 núcleos Zen 6 LP de baixo consumo. A parte gráfica conta com 52 Compute Units ativas da futura arquitetura RDNA 5 a rodar perto dos 3.0 GHz, garantindo 40 TFLOPS de poder computacional FP32, acompanhados por 30GB a 40GB de memória GDDR7.
- Xbox Project Helix (“Magnus”): A Microsoft decidiu não ter vergonha e meter o pé a fundo no acelerador. O sistema aposta num design modular em chiplets com mais de 400 mm² de área de silício, juntando 3 núcleos Zen 6 de alto rendimento com 8 núcleos Zen 6c. No departamento gráfico, enfiaram nada menos do que 68 Compute Units RDNA 5 a debitar 56 TFLOPS, memória GDDR7 com barramento mais largo (36GB a 48GB) e uma NPU dedicada para inteligência artificial com até 110 TOPS!
Em termos matemáticos, a Helix tem cerca de 42% mais silício e 20% mais memória do que a rival japonesa. Mas, além do facto de ter mais teraflops no papel não significar, por si só, ter o dobro das imagens por segundo nos jogos reais. A verdade é que este SoC é também bastante mais complexo, e por isso mais caro.
O filme de terror dos preços…
O verdadeiro choque de realidade está na fatura de montagem. A explosão de custos provocada pela crise mundial de memórias DRAM e GDDR7 transformou a produção destas máquinas num pesadelo corporativo. Por isso, se o ano de 2027 se confirmar, a coisa vai complicar, e muito, para todos.
A PS6 pode chegar ao mercado à volta dos 900 euros, com os custos de produção a rondar os 960 dólares. Ou seja, isto já a assumir que a Sony vai perder algum dinheiro em cada unidade vendida. Por sua vez, a Xbox Helix já ultrapassa os 1100 dólares, e a Microsoft não é nada fã de perder dinheiro.
Estamos a falar de consolas que vão andar entre os 900€ e 1100€, no melhor dos casos.
Quem vai ter coragem de comprar?
Depois do murro no estômago que foi a PS5 Pro chegar às prateleiras a 800 euros e sem leitor de discos incluído, o mercado dos videojogos está a esticar a corda até ao limite. Entrar em 2027 com a Xbox Helix a bater nos 1.000€ ou 1.200€. E a PS6 a rondar os 800€ ou 900€ transforma o mundo das consolas num artigo de luxo inacessível para o jogador comum.
E agora?








