A Nothing de Carl Pei sempre soube dominar como poucas marcas a arte do hype e do design transparente. Afinal, desde que se estrearam no mercado, os seus produtos destacaram-se nas montras por terem um aspeto futurista inconfundível, com luzes e componentes à mostra que faziam virar cabeças na rua.
Além disso, uma das primeiras apostas da marcas foi o som, com os “velhos” Ear(1). Um par de earbuds que era muito interessante para o seu preço, mas que estavam muito longe de entrar nas gamas mais altas.
Agora? O objetivo é um bocadinho diferente.
A Nothing quer bater o pé à Sony e à Bose. Por 400€!

Sim, um par de auscultadores pode ser a coisa mais bonita do planeta. Mas, se a música soar a lata ou o cancelamento de ruído falhar no meio do Metro de Lisboa… Ninguém vai largar uma fortuna por eles.
E depois há um outro problema, o design é o que é. Eu posso achar o produto lindo e tu não. É sempre subjetivo.
Mas, dito tudo isto, os novos Nothing Headphone (1) Pro chegam com muita ambição, e aparentemente com muitos argumentos técnicos. Afinal de contas, estamos a falar de uns auscultadores de gama alta com acabamentos em titânio. Um sistema acústico inovador de três drivers por concha com tecnologia xMEMS. E ainda cancelamento ativo de ruído de 46 dB e áudio de alta resolução real.
São auscultadores que já tocam nas gamas altas da Sony e Bose, que normalmente dominam este mercado. O que levanta a questão, será que têm unhas para tocar esta guitarra?
Três altifalantes por ouvido: Engenharia a sério ou exagero técnico?

A esmagadora maioria dos auscultadores que encontras nas lojas usa um único driver dinâmico para tratar de todas as frequências ao mesmo tempo, desde os graves mais profundos até aos agudos mais estridentes.
É a receita clássica e funciona bem, mas tem limites físicos claros.
A Nothing decidiu rasgar o guião e meteu uma arquitetura tripla no interior de cada concha:
- Graves com impacto: Um driver dinâmico dedicado exclusivamente às baixas frequências para dar corpo e batida sem empapar o resto da música.
- Médios limpos para vozes: Um segundo driver dinâmico de precisão focado na gama média, garantindo que as vozes e os instrumentos acústicos não se perdem no meio do ruído.
- Agudos de estado sólido com xMEMS: A grande cartada técnica é a inclusão de um micro-driver de agudos em tecnologia xMEMS, que promete uma definição cirúrgica nos pratos e notas mais altas, sem aquela distorção metálica típica de modelos mais baratos.
- Afinação de estúdio: A marca foi aos míticos Metropolis Studios em Londres para desenhar o palco sonoro e criar um perfil Flat EQ dedicado a quem produz ou edita conteúdo e precisa de ouvir o som cru, sem colorações artificiais.
Para além disto, o modelo suporta áudio Hi-Res sem fios e reprodução por cabo USB-C até 24-bit/192 kHz, além de cinco modos de áudio espacial com seguimento dinâmico dos movimentos da cabeça.
Cancelamento de ruído reforçado
Quem compra uns auscultadores deste calibre quer ligar o cancelamento de ruído e esquecer que o resto do mundo existe, seja num voo de longo curso, no metro barulhento ou num escritório em espaço aberto. A Nothing equipou este modelo com nada menos do que 10 microfones e um algoritmo adaptativo capaz de cortar até 46 dB de barulho exterior, com atenção redobrada ao vento e ao trânsito rodoviário.
Houve também um cuidado mecânico que salta à vista nas almofadas, que integram agora uma barreira interna de silicone de 8 mm para isolar passivamente muito melhor o canal auditivo.
No aspeto visual, a identidade mantém-se com o vidro resistente 9H Panda Glass a deixar ver a mecânica interna dos três drivers, mas a grande evolução está na estrutura. A marca trocou os braços de aço da geração anterior por titânio e alumínio, conseguindo descer o peso total para os 327 gramas. Não são uma pena, mas com a fita de cabeça mais larga e almofadada, prometem aguentar várias horas de utilização contínua sem massacrar o topo da cabeça.
O perigo de jogar na divisão dos quatrocentos euros?
Aqui chegados, temos de falar de dinheiro e de realidade de mercado.
Quando a Nothing se lançou no mercado de consumo, o seu grande argumento de venda era democratizar o bom design e o desempenho sólido a preços que envergonhavam os grandes tubarões da indústria.
Ao colocar os Headphone (1) Pro a rondar os 400 euros, a marca vai bater de frente com autênticas lendas do setor: os Sony WH-1000XM6, os incontornáveis Bose QuietComfort Ultra e ainda os AirPods Max da Apple. São marcas que têm décadas de aperfeiçoamento de software, suporte ao cliente global em quase todas as esquinas e algoritmos de cancelamento de ruído refinados até à exaustão.
A ficha técnica dos novos Nothing é impressionante e o design é dos mais apelativos e originais do mercado, sem sombra de dúvida. Mas convencer um consumidor comum não vai ser fácil.
Antes de mais nada, o que pensas sobre isto? Achas que a Nothing tem maturidade e qualidade acústica para justificar 400 euros e bater o pé à Sony e à Bose? Ou com este valor preferias ir pelo caminho seguro das marcas consagradas do mercado de som?








