Nintendo 64 – Há datas no calendário da tecnologia que nos atingem com a força de um murro no estômago e nos fazem perceber, sem rodeios, o quão depressa o tempo passa.
Ou seja, se jogavas consolas em meados dos anos 90, prepara-te para a dose de choque do mês. A lendária Nintendo 64 acaba de celebrar uns redondos 30 anos de vida desde a sua chegada ao Ocidente!
Assim, numa época em que a indústria dava os primeiros passos a medo na transição dos sprites em 2D para mundos tridimensionais. E nunca esquecendo uma Sony PlayStation a empurrar a narrativa dos novos discos em CD-ROM. A Nintendo decidiu bater o pé, manter-se teimosamente fiel aos velhinhos cartuchos de plástico e entregar aquela que foi, sem margem para dúvidas, uma das máquinas mais revolucionárias da história dos videojogos.
O impacto cultural desta consola foi colossal!
Não se tratava apenas de ter mais potência gráfica ou de contar polígonos no ecrã. Foi a Nintendo 64 que ensinou a indústria inteira a mexer numa câmara livre, que popularizou o manípulo analógico nos comandos e que nos entregou algumas das maiores obras-primas de sempre, desde Super Mario 64 até ao eterno The Legend of Zelda: Ocarina of Time!
Para quem viveu essa era dourada a soprar para cartuchos e a juntar amigos no sofá para noitadas loucas de ecrã dividido, recordar estes 30 anos é olhar para um tempo em que os jogos tinham uma alma verdadeiramente especial!
É verdade que hoje em dia os jogadores passam a vida a discutir fps, resoluções dinâmicas e subscrições mensais que nos comem a carteira. Mas, em 1996 a magia de ligar um televisor CRT e controlar um boneco num espaço aberto a 360 graus parecia pura feitiçaria saída de um filme de ficção científica.
E isso é especial.
O choque do analógico e a teimosia dos cartuchos

Quando a Nintendo meteu a consola nas prateleiras por 199 dólares nos Estados Unidos, a expetativa estava no limite da loucura. A máquina vinha com apenas dois títulos no alinhamento de lançamento: o Super Mario 64 e o surpreendente Pilotwings 64.
Dito isto, a experiência era absolutamente desconcertante para quem vinha da Super Nintendo ou da Mega Drive.
- O salto magistral de Super Mario 64: Ninguém até àquela data tinha conseguido resolver o problema da profundidade e do controlo de câmara num ambiente tridimensional. A fluidez com que o canalizador corria, saltava contra paredes e nadava num lago aberto definiu tudo para os jogos do futuro.
- Aquele comando estranho de três pontas: Aquele comando parecia desenhado para alienígenas com três mãos, mas tinha um trunfo genial no centro… O manípulo analógico. Foi esse pequeno pedaço de plástico (que deixava a palma da mão em carne viva nos minijogos do primeiro Mario Party) que permitiu ter controlo de aceleração e movimento milimétrico.
- A faca de dois gumes dos cartuchos: A Nintendo insistiu nos cartuchos por causa dos tempos de carregamento instantâneos e da durabilidade física, mas a decisão trouxe problemas. Os cartuchos tinham pouquíssimo espaço de armazenamento e eram caríssimos de produzir. O que levou estúdios de topo como a Square a fugirem para a rival PlayStation para enfiar vídeos e orquestras musicais em múltiplos CDs.
O multiplayer de sofá era uma “cena”!
Hoje jogamos ligados à Internet com auscultadores na cabeça, muitas vezes a conversar com desconhecidos ou a levar com microtransações predatórias em jogos como serviço que nos cobram dez euros por uma skin. Na era da N64, a experiência era pura, crua e infinitamente mais divertida.
A consola vinha de fábrica com quatro portas de comando na parte frontal, dispensando adaptadores manhosos. Assim, quem viveu as tardes e noites de fim de semana fechado na sala a jogar GoldenEye 007 com quatro pessoas no mesmo ecrã de 20 polegadas sabe perfeitamente do que estou a falar.
E a lista de clássicos não acabava: Mario Kart 64, Wave Race 64, Perfect Dark, Banjo-Kazooie, Super Smash Bros e Star Fox 64 provaram que a máquina podia ter um catálogo mais curto do que a concorrência direta, mas quando acertava no alvo, entregava jogos geracionais com nota dez.
A lenda continua viva: O regresso de Ocarina of Time
Para fechar com chave de ouro este ciclo de três décadas de nostalgia, o legado da consola recusa-se a desaparecer. The Legend of Zelda: Ocarina of Time continua a figurar no topo das listas dos melhores videojogos de todos os tempos feitas pelos críticos mundiais.
E as boas notícias para quem quer revisitar o reino de Hyrule não ficam por aqui. O muito aguardado remake oficial do clássico para a Nintendo Switch 2 tem lançamento marcado já para o próximo dia 5 de novembro. Uma oportunidade de ouro tanto para os veteranos. Como também para os jogadores mais novos que querem perceber porque raio é que esta era em 64 bits mudou a história do entretenimento para sempre.
Antes de mais nada, o que pensas sobre isto? Chegaste a ter a mítica Nintendo 64 na sala e a queimar os dedos no manípulo analógico? Ou pertences à fação que preferiu a primeira PlayStation e acha que a teimosia dos cartuchos foi um erro imperdoável da Nintendo?








