A Netflix já não quer apenas competir com a televisão tradicional. Quer competir com o Instagram, com o TikTok e com o YouTube. É algo estranho, que acaba por dizer muito sobre o momento estranho que o streaming atravessa.
Ou seja, durante a apresentação de resultados do último trimestre, a empresa confirmou que está a preparar uma reformulação da app móvel ainda este ano, com um foco muito claro em vídeo curto, feeds verticais e até podcasts em vídeo. Ou seja, algo muito à iamgem do TikTok, Shorts e Reels.
Isto significa menos tempo a escolher o que ver, mais tempo a fazer scroll.
De plataforma de conteúdos a máquina que precisa de reter a atenção!

A Netflix sempre mexeu bastante na sua aplicação. Umas vezes para melhor, outras nem por isso.
Nos últimos anos, o foco esteve na descoberta de séries e filmes, em tornar a navegação mais rápida e em melhorar recomendações. Tudo fazia sentido dentro da lógica de uma plataforma de streaming.
Agora a coisa mudou.
Segundo o CEO Greg Peters, a ideia passa por “servir melhor a expansão do negócio na próxima década”, trazendo mais clips, excertos e novos formatos como podcasts em vídeo. Traduzindo isto… É um esforço para manter o utilizador preso à app o maior tempo possível, mesmo que não esteja a ver uma série ou um filme do princípio ao fim.
A Netflix não quer que escolhas algo para ver. Quer que fiques lá dentro.
Concorrência por atenção, não por qualidade
Ted Sarandos foi bastante claro ao dizer que nunca houve tanta competição pela atenção do consumidor, pelo dinheiro das subscrições e pela publicidade. E é aqui que tudo encaixa.
A Netflix já não está apenas a competir com outros serviços de streaming. Está a competir com tudo o que ocupa tempo no telemóvel. Redes sociais incluídas.

A plataforma precisa de evoluir para crescer, e ao que tudo indica, quer transformar-se em uma super App. Porém, o problema é que, ao fazer isso, entra num terreno onde deixa de ser especial.
Pode ser perigoso.
Conclusão
A Netflix não está a redesenhar a app porque os utilizadores pediram. Está a fazê-lo porque precisa de justificar crescimento, retenção e métricas bonitas para investidores. Quando já não é possível arranjar mais subscritores… É preciso inventar. Mas isso rouba à alma que lhe dá vida.

