Os smartphones vão disparar de preço! – Quantas vezes já vos disse aqui na Leak.pt que a bolha descontrolada da Inteligência Artificial nos servidores ia acabar por rebentar nas mãos do consumidor comum?
Sim, eu sei que já se fala disto há muitos meses. Possivelmente até há mais de 12 meses. Mas, mais tarde ou mais cedo, a granada tinha de explodir, e vai ser nos últimos meses de 2026. Sabes porquê? Porque os stocks de componentes estão a desaparecer, e as novas encomendas chegam cada vez mais caras. Não há quem aguente.
De acordo com os dados mais recentes partilhados pela indústria e avançados pelo conhecido Digital Chat Station, o custo combinado dos módulos de memória RAM (DRAM) e armazenamento interno (NAND Flash) disparou 340% num único ano. O resultado prático disto? Meter memória dentro de um telemóvel custa agora mais às fabricantes do que comprar os melhores chips de topo da Qualcomm ou da MediaTek.
De 70 para mais de 300 dólares: A fatura da memória explodiu

Portanto, para perceberes a gravidade do buraco, basta olhar para as contas da lista de materiais (BOM).
Há sensivelmente um ano, um conjunto padrão de 12GB de RAM LPDDR5X com 256GB de armazenamento custava a uma marca cerca de 70 dólares. Hoje, no terceiro trimestre de 2026, esse mesmo pacote bate nos 2.200 yuan. Qualquer coisa como 310 dólares (aprox. 280 euros) à cabeça só para ter memória e espaço no disco.
Para termos uma noção de escala, um processador topo de gama produzido nos processos mais avançados da TSMC ronda atualmente os 280 dólares. Ou seja, a memória passou a ser, com folga, a peça mais dispendiosa de todo o smartphone.
De facto, se uma fabricante quiser lançar versões mais folgadas com 16GB de RAM ou 512GB de armazenamento, o custo de produção atinge patamares tão pornográficos que destrói qualquer margem de lucro na gama média e alta.
Porque é que as marcas estão a cortar nas especificações?
Porque não é possível aumentar preços até ao infinito. Algumas marcas podem aumentar 100 ou 200€, e a coisa passa. Como é muito provavelmente o exemplo da Apple.
Mas, no ecossistema Android a situação é ainda mais crítica. Enquanto a Apple desenha os seus próprios processadores da série A e consegue negociar margens diferentes, marcas como a Xiaomi, Oppo, Vivo ou a própria Google têm de pagar o preço de tabela à Qualcomm e à MediaTek pelos chips e, em simultâneo, disputar a memória RAM que as gigantes da nuvem estão a comprar a peso de ouro para centros de dados de Inteligência Artificial.
O pior de tudo é que as projeções da indústria apontam para que este aperto na oferta de DRAM e NAND continue a apertar o pescoço ao mercado até 2028, com uma eventual normalização a surgir apenas lá para 2029. Até lá, prepara a carteira! Ter um smartphone com muita memória vai voltar a ser um luxo para muito poucos.







