Nos últimos dois anos fomos engolidos por uma avalanche diária de notícias sobre a IA, e também do seu custo aparentemente astronómico. Aliás, o problema já nem é apenas o custo da IA, é tudo o resto, sendo exatamente por isso que a tecnologia anda a encarecer a um ritmo quase absurdo… O hardware está a ser todo absorvido para centros de dados, especialmente a memória.
Mas, vários especialistas chegaram a afirmar que os centros de dados precisavam de centrais nucleares dedicadas para funcionar, que a NVIDIA podia cobrar o que bem entendesse pelas suas placas gráficas e que as empresas iam ter de cobrar subscrições pesadas para não irem à falência com os custos de processamento.
Só que, nos bastidores do silício e do software, está a acontecer um fenómeno silencioso que está a apanhar muita gente de surpresa e a virar o mercado do avesso. Ou seja, de acordo com um relatório brutal da consultora de investigação Epoch AI, o custo para atingir o mesmo nível de desempenho em inteligência artificial está a cair quase 50% por trimestre, desabando cerca de 13 vezes ao ano!
A Inteligência Artificial está a ficar barata!?

Portanto, para se ter uma noção da importância deste colapso de preços, uma tarefa complexa que custava 30 cêntimos no início de 2025 passou a custar uns ridículos 0,0003 euros cerca de um ano e meio depois!
Estamos a falar de uma queda de custos mais rápida do que a que se viu nas baterias de iões de lítio, no hardware dos computadores e até na sequenciação de ADN!
Mas se a inteligência artificial está a ficar baratíssima para quem a processa, porque é que as grandes marcas continuam a pedir balúrdios pelas subscrições e a justificar aumentos de preço no software do dia a dia?
É uma questão de números escondidos para manter margens altas, e também o facto de a potência de processamento continuar a aumentar a um ritmo absurdo.
Do euro aos microcêntimos: O abismo entre o GPT o3 e o GPT-5.6 Luna

Os números apurados são verdadeiramente desconcertantes:
- O salto em escassos 18 meses: O modelo GPT o3, lançado pela OpenAI em janeiro de 2025, conseguia atingir 75% de sucesso neste teste científico a um custo de sensivelmente 0,30 dólares por cada resposta. Cerca de um ano e meio depois, o novo modelo GPT-5.6 Luna atingiu o mesmo patamar de precisão por insignificantes 0,0004 dólares.
- Uma queda de 750 vezes: Não estamos a falar de poupanças marginais de 10% ou 20%. É um desmoronamento completo do custo de inferência! Proporcionado por modelos muito mais compactos, algoritmos de compressão de parâmetros refinados e sistemas que consomem uma fração minúscula de tokens para chegar à mesma conclusão lógica.
- Mais rápido do que qualquer tecnologia da história: A descida de custo da capacidade de IA tem sido cerca de 4 vezes mais rápida do que a sequenciação genética e 18 vezes mais acelerada do que o ciclo de maturidade das baterias de lítio entre 1991 e 2024.
O perigo do “benchmaxxing” e a barreira da física?
Como sempre acontece na tecnologia de ponta, convém manter o ceticismo bem desperto e não engolir todas as conclusões de olhos fechados.
Em primeiro lugar, existe o risco cada vez maior do chamado “benchmaxxing“. Isto não é mais do que as empresas afinarem e treinarem os seus modelos especificamente para brilharem nos testes conhecidos dos relatórios. Isto mesmo que no mundo real, a responder a emails confusos ou a interpretar código desarrumado… A inteligência da máquina continue cheia de alucinações e respostas sem sentido.
Em segundo lugar, a própria curva de queda de preços já começou a abrandar. Se no início os custos caíam cerca de 66% a cada trimestre, recentemente esse ritmo abrandou para a casa dos 32%. A razão é puramente física… Isto porque podes otimizar o software até ao tutano. Mas, os cabos elétricos continuam a aquecer. A energia das barragens custa dinheiro real. E claro, construir naves industriais cheias de servidores topo de gama não fica mais barato por magia.
Antes de mais nada, o que pensas sobre isto? Sentiste na prática que as ferramentas de inteligência artificial ficaram mais baratas e acessíveis? Ou as marcas continuam a inventar pretextos para te cobrar subscrições caras por coisas que já custam quase zero a correr nos servidores?








