A Inteligência Artificial descobriu a fonte da juventude? Um novo fármaco rejuvenesceu doentes em ensaios clínicos!
Quantas vezes já ouviste os profetas de Silicon Valley jurar a pés juntos que a Inteligência Artificial ia curar o cancro antes do final da década e resolver todos os males da humanidade? O discurso do costume serve quase sempre para atrair capital de risco e inflacionar avaliações bolsistas, enquanto os resultados palpáveis no mundo real teimam em demorar.
No entanto, quando a ciência séria bate à porta, é preciso parar para escutar.
A farmacêutica Insilico Medicine utilizou modelos de IA generativa para desenhar um fármaco do zero e os dados clínicos acabam de demonstrar algo fascinante: os doentes tratados rejuvenesceram biologicamente vários anos em apenas quatro semanas.
O medicamento chama-se rentosertib e, curiosamente, o seu objetivo primordial nunca foi ser um elixir da imortalidade. A molécula foi gerada para combater a fibrose pulmonar idiopática, uma doença degenerativa grave que destrói os tecidos dos pulmões. Para lá chegar, os algoritmos identificaram uma proteína específica, a TNIK, ligada à inflamação crónica e ao envelhecimento celular, desenhando a estrutura química perfeita para a travar.
Menos três anos de idade biológica no sangue em 30 dias!

Portanto, os dados agora revistos e publicados na prestigiada revista Nature Biotechnology debruçaram-se sobre um ensaio clínico de fase 2a realizado na China com doentes cuja média de idades rondava os 67 anos.
Os cientistas acompanharam as análises ao sangue de 42 participantes ao longo de 12 semanas e submeteram as amostras a seis “relógios biológicos” independentes.
O resultado apanhou os investigadores de surpresa. Todos os seis modelos detetaram um rejuvenescimento evidente nos doentes medicados, enquanto o grupo que tomou placebo manteve ou piorou a sua idade biológica. Nos doentes que tomaram uma dose diária de 60 mg, a idade estimada caiu entre 2,7 e 3,5 anos logo na quarta semana de tratamento. A toma repartida de 30 mg duas vezes ao dia foi a que revelou maior consistência em todo o organismo.
Como é óbvio, não vamos viver todos até aos 150 anos já amanhã
Antes de começares a planear mais cinquenta anos de reforma ao sol, convém manter os pés bem assentes na terra.
Os próprios cientistas admitem abertamente as limitações deste estudo. Ou seja, como estes doentes sofriam de uma infeção pulmonar crónica severa, é incerto até que ponto a descida da idade biológica resulta do alívio direto da doença nos pulmões ou de um efeito rejuvenescedor transversal a órgãos saudáveis.
A Insilico já avançou para a fase 3 dos ensaios clínicos com 320 doentes para certificar o medicamento junto dos reguladores de saúde. Escusado será dizer que bilionários obcecados com a longevidade como Bryan Johnson ou futuristas da tecnologia já esfregam as mãos com este avanço, vendo nele o primeiro passo para cruzar a barreira dos 100 anos de vida com o corpo de um jovem.
Ainda estamos a anos de ver comprimidos de longevidade nas farmácias ao virar da esquina. Contudo, saber que a mesma Inteligência Artificial que usamos para brincar com imagens e textos no telemóvel é capaz de desenhar moléculas em laboratório que atrasam o relógio da vida é uma vitória gigantesca da medicina moderna.
Antes de mais nada, o que pensas sobre tudo isto? Tomarias um comprimido desenvolvido por IA se isso te garantisse mais alguns anos de vida com saúde? Ou assusta-te a ideia de mexer na biologia humana?






