Durante anos, os chips Dimensity foram a grande cartada da MediaTek para deixar de ser “a alternativa barata” e passar a jogar na mesma liga da Qualcomm. Coisa que até funcionou, pelo menos até certo ponto.
Aliás, durante várias gerações, a MediaTek apareceu com performance similar a preços mais baixos. De facto, em vários smartphones que andei a testar nos últimos 2 anos, encontrei mais fluidez nos modelos equipados com MediaTek, do que os “Ultra” equipados com Qualcomm Snapdragon.,
Porém, tudo indica que em 2026 começa a ficar claro que o foco está a mudar. E não é para melhor, pelo menos para quem gosta de alguma concorrência no mundo dos smartphones.
Smartphones já não são prioridade?

Sempre que a inteligência artificial entra numa empresa, tudo o resto passa para segundo plano. Aconteceu com a memória, aconteceu com as GPUs, e agora começa a acontecer com os chips mobile.
Ou seja, a MediaTek está a desviar recursos internos para áreas mais lucrativas como chips dedicados a IA e soluções para o setor automóvel. Mercados com menos concorrência direta e margens muito mais interessantes.
Dito de forma simples e fácil de perceber. Os smartphones deixaram de ser o centro da estratégia.
Porque é que a MediaTek está a mudar de rumo?
Vender processadores para telemóveis tornou-se um negócio ingrato. O mercado está saturado, os fabricantes pressionam preços, e qualquer erro custa caro. No mundo da IA é diferente. Um contrato certo garante receitas durante anos. Menos risco, mais lucro, menos dores de cabeça.
A MediaTek percebeu isso e está a ajustar-se.
O problema dos Dimensity?
Convém não esquecer um detalhe importante. A MediaTek nunca foi o topo da cadeia alimentar no mundo mobile. Esse lugar continua a ser ocupado pela Apple e pela Qualcomm.
Os Dimensity ganharam espaço porque havia foco, investimento e vontade real de competir. Se isso começa a desaparecer, a consequência é óbvia. Vão ser, com o passar dos anos, processadores cada vez menos refinados, e com menos ambição. O que deverá levar a MediaTek novamente para o final da tabela.
Para já, os chips continuam bons. Continuam competitivos. Mas… O futuro? Ninguém sabe.
A IA está a sugar tudo!
Em suma, a inteligência artificial está a sugar recursos de toda a indústria tecnológica.
Afinal, primeiro foi o preço da memória. Depois a disponibilidade de placas gráficas. Agora começa a ser o próprio cérebro dos smartphones a perder prioridade. Enfim… A coisa está complicada!

