Se achavas que o preço dos combustíveis em Portugal já estava num nível proibitivo, e de facto está… A verdade é que pode piorar. Quem anda atento ao que se passa lá fora já percebeu que as subidas das últimas semanas não foram apenas o habitual soluço de mercado a que nos habituámos.
Desta vez, o aviso não vem de teóricos da conspiração nem de comentadores de bancada. Foram os próprios executivos das maiores petrolíferas mundiais a vir a público, através do The Wall Street Journal, alertar que a “Grande Crise dos Combustíveis” bateu oficialmente à porta.
Dito isto, quando os donos do crude dizem que a tempestade chegou, podes ter a certeza absoluta de que quem vai levar com o granizo no lombo somos nós, na bomba e no supermercado.
A “Grande Crise dos Combustíveis” já chegou?

Nos bastidores da indústria, o ambiente é de puro alarme.
Afinal, entre oleodutos estratégicos debaixo de fogo no Médio Oriente, estreitos marítimos vitais bloqueados e refinarias a operar no limite máximo da capacidade, as reservas globais estão a evaporar-se a um ritmo assustador. O resultado prático? O gasóleo e a gasolina estão a transformar-se em artigos de luxo, e a cadeia de abastecimento mundial já começou a acusar o toque de forma violenta.
O diesel move o mundo. Por isso, quando o transporte dispara, tudo encarece
Há muita gente que ainda tem a ilusão de que a subida dos combustíveis só afeta quem anda de carro todos os dias. Mas, isso não é verdade.
De facto, nem precisas de ser nenhum génio da economia para perceber como funciona a engrenagem. Rigorosamente tudo aquilo que comes, vestes ou compras na vida real viajou na traseira de um camião movido a gasóleo.
Por isso, se o combustível sobe, o transporte encarece no segundo seguinte.
- Sobretaxas de transporte descontroladas: Empresas de transporte de mercadorias já estão a aplicar taxas adicionais de combustível superiores a 50%, com subidas repentinas de preços a meio do ano em contratos industriais que costumavam manter-se estáveis durante anos a fio.
- Efeito dominó em toda a linha: Eletrodomésticos, tecnologia, peças de substituição e comida nos hipermercados vão sofrer uma nova vaga de inflação agressiva.
- O precedente da pandemia: O filme é velho e nós conhecemos o final. As marcas sobem os preços alegando a crise energética de emergência e, quando o crude eventualmente estabilizar lá mais à frente, adivinha o que acontece aos preços no retalho? Exatamente: nada baixa.
Carros elétricos e bicicletas: O refúgio de quem pôde antecipar o choque

A esmagadora maioria da população portuguesa, que vive fora das grandes áreas metropolitanas e depende obrigatoriamente de um carro a combustão com dez ou quinze anos para ir trabalhar, não tem escapatória.
Está encurralada entre atestar a meio depósito para a conta não passar dos três dígitos ou deixar o veículo encostado.
A tempestade perfeita está montada.
O que mais me impressiona em toda esta novela é a rapidez com que a narrativa mudou de… “São apenas oscilações temporárias”. Para… “estamos perante uma crise estrutural sem fim à vista”. As potências mundiais queimaram as reservas estratégicas para conter os preços nos últimos meses e a corda partiu.
A questão agora… E agora?
Em Portugal, com a máquina fiscal montada para cobrar impostos em percentagem direta sobre o valor de venda, o cenário que se avizinha para o último trimestre do ano é negro.








