Quando achas que a indústria automóvel já esgotou todas as ideias possíveis e imaginárias para justificar a transição para os elétricos, eis que os norte-americanos decidem levar o conceito de “ver a bola com os amigos” a um nível de loucura difícil de bater.
Sim, toda a gente sabe que uma das grandes vantagens de um carro elétrico é não ter aquele bloco de ferro fundido a combustão debaixo do capô à frente, libertando um espaço valioso a que chamamos de frunk (a bagageira dianteira). Algo que, normalmente, serve para enfiar os cabos de carregamento, um saco de compras ou uma mala de viagem.
Só que a Ford olhou para esse buraco vazio e pensou: “E se em vez de cabos enfiássemos lá uma televisão com suporte dobrável alimentada pela bateria do carro?”.
Parece uma piada saída de um episódio antigo do Pimp My Ride, mas é oficial. De facto, a Ford acabou de registar a patente de uma frente modular desenhada para a sua futura pick-up elétrica, a Fathom, que promete transformar a frente da carrinha numa bancada de futebol ao ar livre por menos de 30 mil dólares! O que raio anda a engenharia de Detroit a inventar?
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A Ford quer meter uma TV no “frunk” da sua nova pick-up!

Portanto, a obsessão norte-americana pelas famosas festas de parque de estacionamento antes dos jogos é muito conhecida. Só que levar isso para o capô dianteiro de um veículo de trabalho mostra bem como as marcas estão desesperadas para encontrar truques práticos que convençam o consumidor comum a largar o gasóleo.
Uma televisão na grelha e tampas de capô para cortar presunto
Os diagramas da patente submetida pela marca mostram um sistema articulado que aproveita o vão dianteiro da carrinha de uma forma nunca antes vista no mercado automóvel.
A ideia não é apenas ter uma prateleira. É quase criar uma estação de convívio ou trabalho autónoma:
- Suporte retrátil para televisão: Uma tampa desdobrável estilo portão traseiro que se abre para a frente e revela espaço suficiente para fixar e ligar um ecrã de televisão, aproveitando a tomada de alta voltagem do próprio sistema de baterias da carrinha. Imagina parares num descampado, num acampamento ou até numa feira de rua a passar vídeos promocionais do teu negócio sem precisares de geradores barulhentos a queimar gasolina ao lado.
- A bateria aguenta? Sim, e sem suar. A Ford aponta para um pack de baterias generoso capaz de ultrapassar os 480 km (300 milhas) de autonomia. Uma televisão moderna a gastar 70 ou 80 Watts durante 90 minutos de um jogo nem sequer faz mossa de 1% na carga total do veículo.
- Capôs modulares e substituíveis: A patente sugere ainda que a superfície superior da tampa do frunk pode ser trocada por painéis resistentes a riscos. Podes pousar ferramentas pesadas, comida, copos ou caixas sem medo de arruinar a pintura metalizada de fábrica.
A pick-up elétrica “do povo” com preço de arromba para 2027
O mais impressionante desta história não é sequer a extravagância de ter uma televisão escondida na grelha frontal. É o posicionamento agressivo do veículo onde esta tecnologia se vai estrear.
A Ford Fathom, com chegada ao mercado prevista para os primeiros meses de 2027, não quer ser mais um brinquedo de luxo para ricos como a Tesla Cybertruck ou a F-150 Lightning. Os detalhes adiantados pela marca apontam para uma pick-up de tamanho médio. Ou seja, com mais espaço interior para passageiros do que um Toyota RAV4. A arrancar num preço verdadeiramente agressivo de 28.350 dólares (cerca de 26 mil euros à taxa de câmbio direta).
Por isso, numa altura em que o Ocidente treme com a invasão iminente de elétricos chineses baratos e bem equipados… Ver uma construtora histórica norte-americana a preparar uma carrinha elétrica robusta, com integração nativa de Apple CarPlay e Android Auto. Tudo isto abaixo da barreira dos 30 mil dólares é o choque de realidade que o mercado ocidental precisava urgentemente de ver.






