Como já dissemos várias vezes na Leak.pt, a velha máxima de que a tecnologia fica naturalmente mais barata e acessível com o passar do tempo acabou de… Deixar de existir. Aliás, não é só nos smartphones. Estamos a ver isso um pouco por todo o lado, onde o maior exemplo está no lado das consolas.
A tecnologia já não fica mais barata, mesmo com o passar de vários anos.
Por isso, se estavas à espera de comprar um telemóvel decente por tuta-e-meia nos próximos meses, podes tirar o cavalinho da chuva. A era do smartphone barato não está a fazer uma pausa, morreu mesmo. Ou pelo menos está num coma profundo. Ou seja, a crise brutal na produção de memória e a subida galopante dos custos de componentes estão a asfixiar as marcas, tornando impossível manter telemóveis funcionais na fasquia dos 100€ ou 150€.
A crise da memória e o massacre no ecossistema Android

Portanto, o mais recente relatório da IDC vem confirmar o que já andávamos a sentir nos bastidores. Os preços médios vão disparar cerca de 28% e esta tempestade não vai passar antes de 2028. Porquê? Simples, a verdade é que produzir um aparelho barato deixou de fazer qualquer sentido económico.
Mais concretamente, quem vai levar com o maior golpe, é o ecossistema Android mais modesto. Marcas que viviam de vender milhões de aparelhos de entrada com lucros de meia dúzia de cêntimos vão passar pelo pior momento da sua história, e muitas simplesmente não vão sobreviver.
O que vai ser mau para todos. O mercado já é dominado por uma mão cheia de marcas. E vai ficar ainda mais pequeno.
Em suma, enquanto a Apple e o topo de gama da Samsung navegam em águas calmas, porque o cliente tem carteira mais funda ou mete o aparelho em 36 vezes na operadora, o mercado de volume está a encolher a um ritmo assustador.
O adeus ao “Flagship Killer” e a nova realidade do consumidor

No fim do dia, não são apenas os smartphones de 200€ ou 300€ que vão desaparecer. Aliás, já estamos a ver isso com os recentemente lançados Redmi Note 17. Continuam a existir, mas levaram um corte sério nas especificações técnicas.
A pior notícia está naqueles aparelhos que tentam desafiar a linha do topo-de-gama, sem pedir mais do que 500€ ou 600€. Esses aparelhos sobreviviam com margens ultra-finas, e alguns cortes ligeiros no hardware. Agora? Preço vai aumentar, e no fim do dia, vão ficar menos poderosos, e por isso interessantes.
De facto, vai ser mais normal comprar smartphones com 1 ou 2 anos, em vez de comprar a mais recente novidade. Aliás, muito boa gente vai meter o seu foco no lado dos recondicionados, especialmente quando se fala de aparelhos da Apple e Samsung.
É todo um novo mundo.







