Quem acompanha o mundo da tecnologia já percebeu que a Inteligência Artificial deixou de ser uma promessa para se transformar num autêntico pesadelo financeiro. Afinal de contas, se a Google, a rainha da Internet, não é capaz de fazer dinheiro com isto… Quem é?
Além disso, a memória RAM duplicou de preço, os computadores e tablets ficaram mais caros e a próxima vaga de smartphones vai seguir exatamente o mesmo caminho. A razão? As grandes empresas tecnológicas decidiram estoirar centenas de milhares de milhões em centros de dados gigantescos para alimentar modelos de linguagem (LLMs) que ninguém sabe como rentabilizar.
Entretanto, Ed Zitron, uma das vozes mais críticas e céticas da indústria, e anfitrião do podcast Better Offline, anda há anos a avisar que esta conta nunca vai fechar. E a verdade é que, no meio deste delírio coletivo de Wall Street, a Apple pode ser a única a sair inteira quando o castelo de cartas finalmente desabar.
A matemática da IA é um disparate?

O problema fundamental dos modelos de linguagem é simples: contrariam toda a lógica de venda de software.
Ou seja, o consumidor está habituado a pagar uma subscrição mensal fixa por um serviço. No entanto, ferramentas como o ChatGPT ou o Claude consomem “tokens” a cada resposta, quer acertem, quer debitem disparates. O custo de processamento é real e brutal a cada segundo.
Como é óbvio, empresas como a OpenAI e a Anthropic sabem perfeitamente que ninguém pagaria o valor real dessa utilização. Por isso, oferecem planos de 20 euros por mês onde o utilizador queima muito mais recursos do que aquilo que realmente paga.
Para teres uma ideia do rombo, só a OpenAI perdeu mais de 20 mil milhões de dólares num único ano.
Curiosamente, quando tentaram passar as empresas para pagamentos baseados em consumo real de tokens, gigantes como a Uber esgotaram o orçamento anual de IA num único trimestre e assumiram abertamente que era impossível justificar o investimento.
Entretanto, quem é que paga esta brincadeira? Nós.
As “hyperscalers” como a Microsoft, Google e Meta limparam a produção mundial de memória para construir centros de dados megalómanos. E o resultado direto é que estás a pagar hardware mais caro para subsidiar infraestruturas de IA que não geram um único cêntimo de lucro.
A Apple Intelligence foi um desastre, mas, sem querer, salvou a marca da loucura!

Enquanto marcas como a Samsung ou a Microsoft atiram a palavra “AI” para cima de tudo o que mexe, a Apple gastou uma fração irrisória em infraestrutura própria.
Sim, o lançamento da Apple Intelligence foi uma vergonha alheia, e, ainda nos dias que correm, a Apple não tem um sistema de IA rival à concorrência. Mas… A verdade é que também não precisa.
Aliás, acabou por ser a melhor coisa que aconteceu em Cupertino. A Apple percebeu que o consumidor comum não quer saber de IA para nada se a experiência for intrusiva e fraca. Assim, em vez de construir centros de dados milionários, a Apple prefere pagar um valor fixo à Google para correr o Gemini como motor secundário e manter o resto a processar no próprio dispositivo.
Desta forma, se a bolha rebentar amanhã, quem se afunda em dívidas são a Oracle, a Microsoft e os fundos de investimento que financiaram tijolo e silício a fundo perdido.
O que acontece quando o circo fechar a porta?
Se a bolha da Inteligência Artificial estoirar da forma que se prevê, com desvalorizações brutais nas bolsas e falências na cadeia de produção, a Apple simplesmente vai sentar-se na bancada a assistir à fogueira. Não vai passar sem arranhões, porque já está a ser obrigada a aumentar preços, e isso vai resultar em vendas mais fracas.
Ainda assim, vai ser a menos afetada.
Achas que a Inteligência Artificial é mesmo uma bolha prestes a rebentar ou já não consegues viver sem estas ferramentas no teu dia a dia? Deixa a tua opinião na caixa de comentários em baixo.







