Está tudo a ficar mais caro no mundo da tecnologia. Mas, a Apple está mais cara? Nem por isso! Apesar de depender muito do produto para onde estás a olhar. Porque se fores para o lado do iPhone ou de algumas configurações mais puxadas dos MacBook Pro, há argumentos para dizer que sim. Isto mesmo tendo em conta que o preço do Pro Max continua igual há vários anos.
Mas, no caso do MacBook Air 13”, aquele que eu acredito ser o melhor portátil que o dinheiro pode comprar, a história tem sido bem diferente!
A Apple está mais cara? Ou é a mais cara?
Normalmente, os produtos ficam mais caros ao longo do seu percurso no mercado, especialmente quando se fala de coisas da Apple.
Aliás, há um detalhe muito curioso que muita gente anda a ignorar. O MacBook Air (modelo base) está hoje mais barato do que estava há poucos anos. A Apple tem feito algo que ninguém esperava, e está-lhe a correr muito bem.
De facto, o MacBook Air não está apenas mais barato, está muito melhor.
MacBook Air: o preço caiu. E caiu bem!
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Se olharmos para os preços em euros do MacBook Air 13” (modelo base), antigamente com 8GB de memória RAM e 256GB de armazenamento SSD, os valores começaram em:
- 2022 – 1499€ com M2
- 2024 – 1349€ com M3
- 2025 – 1249€ com M4
Ou seja, em apenas três gerações, o mesmo tipo de máquina ficou 250€ mais barato. Talvez até mais, visto que é possível encontrar o MacBook Air mais recente em campanha com preços que podem até ficar abaixo dos 999€.
Tudo isto torna-se ainda mais interessante quando percebemos que, ao mesmo tempo, o chip ficou muito melhor, a eficiência energética subiu, e o portátil continuou a ser uma das referências do mercado em autonomia, construção e desempenho no mundo real.
Mas então a Apple ficou boazinha?
Calma lá.
A Apple não acordou um dia e decidiu ser amiga da carteira. O que aconteceu aqui foi uma mistura de fatores muito específica. Controlo de cadeia de produção, escala absurda, chips desenhados à medida e uma estratégia muito agressiva para tornar o Air mais apelativo.
Aliás, este é um daqueles casos em que fazer o próprio SoC muda mesmo o jogo. Não só porque a Apple desenha os chips como quer, mas porque depois consegue espalhar essa arquitetura por vários produtos e controlar melhor os custos.
Claro que depois entra a TSMC para produzir tudo. Mas o design continua a ser da Apple, e isso dá uma vantagem brutal face a muita da concorrência Windows.
O Air está melhor posicionado do que nunca!
Durante muito tempo, o MacBook Air era visto como o Mac de entrada. Bom, bonito, fino, mas sempre com aquele sabor a “quase”.
Hoje? Já não é assim.
O Air tornou-se num portátil realmente sério, ao ponto de começar a meter pressão não só em muitos portáteis Windows premium, mas também em alguns Macs que vivem acima dele na gama.
Se tens 16GB de RAM e 512GB de armazenamento a este preço, com a eficiência dos chips M, construção sólida, ecrã competente e uma autonomia absurda, a verdade é esta. Há cada vez menos máquinas Windows que consigam acompanhar o pacote completo.
E o MacBook Pro? Pois… aí a história já não é a mesma.
Também convém dizer isto para ninguém fingir que a Apple virou santa. O Air está a ficar mais interessante, sim. Também temos agora um Neo a puxar pelo low-cost. De facto, o Mac Mini é também uma excelente aposta na qualidade-preço. Mas basta olhar para a gama Pro para perceber que a Apple continua a saber muito bem como puxar pela carteira.
Por isso, usar o Air como exemplo para defender que “a Apple não está mais cara” é um exagero. O que se pode dizer, com honestidade, é outra coisa.
O MacBook Air está melhor posicionado e com melhor relação qualidade preço do que estava há poucos anos. E ainda bem que assim é. É preciso fazer com que o lado Mac fique mais competitivo para meter a Microsoft a correr atrás do prejuízo.








