Se andas a acompanhar os meus artigos aqui na Leak, sabes bem que passo a vida a queixar-me de que o mercado dos smartphones se tornou terrivelmente aborrecido. Hoje em dia, os telefones são todos retângulos de vidro praticamente idênticos. A única grande diferença de um ano para o outro é se as câmaras ganham mais uns megapíxeis ou se a moldura do ecrã encolhe meio milímetro.
Mas, houve uma altura em que a Samsung não tinha medo de arriscar e tentava enfiar as ideias mais absurdas (ou geniais) dentro de um telemóvel.
A gigante Sul-Coreana foi capaz de criar um smartphone que tinha uma autêntica câmara fotográfica na sua traseira, e talvez mais interessante que isto, também lançou um dos telemóveis mais bizarros e fantásticos da história: o Samsung Galaxy Beam.
Lançado originalmente em 2012, este equipamento não era um mero protótipo ou um conceito para mostrar em feiras tecnológicas. Era um smartphone Android real, que podias comprar nas lojas (custava cerca de 400 euros) e que trazia um projetor de vídeo em miniatura embutido diretamente no topo da carcaça.
Levar o cinema no bolso com apenas 15 lúmens!
Olhando para as especificações técnicas hoje em dia, ficamos com um sorriso no rosto. Afinal de contas, falamos de um ecrã LCD de 4 polegadas, um processador dual-core de 1 GHz, uns míseros 768 MB de memória RAM e uma bateria de 2000 mAh. Mas a verdadeira rasteira estava no pequeno projetor DLP fabricado pela Texas Instruments que estava escondido no topo do chassis.
Este smartphone conseguia projetar uma imagem com uma resolução de 640×360 píxeis até um tamanho máximo de 50 polegadas. O grande problema? A luminosidade ficava-se nuns modestos 15 lúmens.
Em termos práticos, isto significava que se tentasses mostrar um vídeo a um amigo numa sala com luz natural, não ias ver rigorosamente nada. Para a experiência funcionar, tinhas de estar num quarto completamente às escuras, e o foco tinha de ser ajustado de forma totalmente manual através de um botão manhoso na lateral do aparelho.
Ainda assim, a crítica da época aplaudiu a audácia. Portais como a CNET e a Engadget consideraram o Galaxy Beam um dispositivo surpreendentemente capaz para quem queria partilhar fotos ou vídeos rápidos com duas ou três pessoas, sem precisar de andar com uma televisão ou um portátil atrás.
A obsessão da Samsung com os conceitos bizarros… Era brutal!
O mais curioso é que a Samsung estava mesmo obcecada com esta ideia dos projetores. O Galaxy Beam de 2012 não foi o primeiro nem o único passo da marca neste território. Dois anos antes, já tinham lançado o Samsung Beam original (i8520) que, ironicamente, até tinha melhores especificações, incluindo um ecrã OLED e uma câmara de 8 MP. Mais tarde, ainda lançaram um Galaxy Beam 2 com corpo em metal e processador quad-core, mas que acabou por ficar exclusivo do mercado chinês.
Esta era a mesma Samsung que, sem qualquer pudor, decidiu enfiar uma lente com zoom ótico motorizado na traseira de um smartphone com o Galaxy S4 Zoom. E claro, temos também de falar do Galaxy K Zoom, que transformou o telemóvel numa autêntica câmara fotográfica compacta. Ou que, mais tarde, inventou o mecanismo rotativo do Galaxy A80! Onde a câmara traseira deslizava para cima e rodava para a frente para servir de câmara de selfies.
Muitos destes equipamentos acabaram por ser fracassos comerciais ou simples provas de conceito que não resistiram ao teste do tempo. No entanto, deixam uma enorme saudade daquela indústria irreverente que não tinha medo de falhar para tentar criar algo verdadeiramente diferente. Hoje em dia, temos equipamentos infinitamente mais rápidos e potentes, mas perdemos por completo o fator surpresa quando abrimos a caixa de um telemóvel novo.
É uma pena, porque a Samsung tinha um talento incrível para fazer coisas diferentes.





