Sistema Volta: A teoria é linda, mas a prática está no lixo e à vista de todos. – Portugal tem um talento especial para anunciar soluções de vanguarda que, no papel, parecem destinadas a salvar o planeta, mas que na prática esbarram na dura realidade do dia-a-dia. Sim, já muito se falou do recentemente lançado projeto “Volta” que basicamente significa que agora pagas um depósito de 10 cêntimos por cada garrafa que levas para casa, o que em teoria deveria obrigar as pessoas a reciclar mais. Mas… Não!
Volta e a guerra dos 10 cêntimos. Esta imagem mostra tudo!

Portanto, o sistema Volta, que prometia ser a grande revolução na reciclagem através de depósitos e retornos, está a dar os primeiros passos com uma perna manca. A imagem que ando a fazer as rondas nas redes sociais não precisa de grandes legendas para explicar o problema. Na realidade, é o resumo perfeito da frustração de quem tenta fazer a coisa certa e acaba derrotado pela burocracia tecnológica.
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De um lado da fotografia temos a modernidade! Ou seja, uma máquina imponente, com ecrãs digitais e um design limpo.
Do outro, a escassos centímetros, temos a realidade portuguesa!
Um caixote de lixo indiferenciado a abarrotar de garrafas de plástico que, muito provavelmente, foram rejeitadas pelo sistema.
O cidadão, que teve o trabalho de separar o material e transportá-lo até ao ponto de recolha, vê-se perante um erro de leitura ou uma exigência qualquer de formato e, sem paciência para levar o lixo de volta para casa, opta pela solução mais lógica e triste, que é despejar tudo no contentor comum.
Mas, o mais interessante no meio disto tudo. É que quem montou a máquina, já sabia que ia ser preciso um caixote ao lado. Nada é por acaso!
Ou seja, agora em vez de reciclagem simples, como já se fazia em Portugal há anos, temos máquinas que não funcionam, estão montadas em sítios específicos que quase sempre obrigam ao gasto de combustível, e funcionar é um quase milagre. É um sucesso à boa moda Portuguesa.
A meu ver, para que o sistema Volta seja realmente um sucesso e não apenas mais uma iniciativa para “inglês ver”, é preciso simplificar. Menos ecrãs bonitos e mais eficácia na aceitação dos materiais, porque enquanto a reciclagem for um combate entre o homem e a máquina, o plástico continuará a ir parar ao sítio errado.
Esperemos que este cenário mude rapidamente, porque, por agora, o futuro sustentável de Portugal está literalmente a transbordar de um caixote de lixo indiferenciado.




