Se acompanhas a televisão portuguesa, já reparaste que os intervalos comerciais começam a parecer uma consulta de otorrino gigante. Em pleno 2026, ligar a TV de manhã ou durante o jornal da uma é ser bombardeado por anúncios de aparelhos auditivos, muitas vezes aos dois e três de seguida. Ou seja, parece que Portugal ficou surdo de um dia para o outro, mas a explicação é muito mais comercial do que médica.
Aparelhos auditivos em todo o lado: Por que é que a TV portuguesa “berra” tanto?

Atenção que não estamos aqui a dizer que os anúncios foram feitos para enganar. Porque isso não é verdade. Os produtos são reais e funcionam. Aqui, a realidade é só uma… Portugal é um dos países mais envelhecidos do mundo. Como tal, o público que ainda consome TV tradicional de manhã e à noite é precisamente o target destas marcas. Mais concretamente, as empresas sabem que quem está a ver o programa da manhã é quem precisa, ou quem convive com quem precisa, de ajuda para ouvir melhor.
Dito isto, o negócio é extremamente lucrativo. Um par de aparelhos pode custar milhares de euros, o que permite às marcas comprar blocos inteiros de publicidade. Portanto, o bombardeamento não é por acaso. É matemática pura aplicada ao envelhecimento da população, e quase sempre acaba por compensar para as marcas.
Mesmo que existam muitas a competir pela mesma fatia do mercado.
Wearables de luxo e não apenas próteses
Em 2026, estes aparelhos já não são o que eram. Agora têm Inteligência Artificial, Bluetooth e até tradutor. Ou seja, até a publicidade mudou o foco! Já não vende apenas audição, vende tecnologia e status para quem quer continuar ligado ao mundo digital. A repetição dos anúncios serve para garantir que, no momento da compra, aquela marca é a primeira que vem à cabeça.
Conclusão: O reflexo de um país envelhecido.
No fundo, a saturação de anúncios de aparelhos auditivos é o espelho da nossa realidade. Enquanto a TV for o meio de eleição dos mais velhos, e obviamente é. Vamos continuar a ver “maratonas” de orelhas tecnológicas nos intervalos. É a utilidade a ganhar ao entretenimento.







