Durante muitos anos, e na verdade muito graças à Apple em 2024 e 2025, o limite máximo para o preço de um telemóvel “flagship” tem estado fixado nos 1499€ em Portugal. Estamos a falar do modelo base dos smartphones de topo, ou seja, o iPhone 17 Pro Max de 256GB, ou o S26 Ultra de 256GB.
Claro que, se quiseres mais armazenamento, vais gastar mais que isto. Mas, em Portugal, e também em muitos outros mercados, é completamente normal ver as pessoas atrás dos modelos base, porque os 256GB ainda são suficientes (com alguma ajuda do armazenamento na cloud), e claro, começa a tornar-se um pouco complicado justificar mais que 1499€ por um smartphone que no final do dia não é muito diferente daquilo que já existia no mercado, ou até no teu bolso.
Pois bem, os primeiros smartphones acima deste valor estão finalmente a chegar.
Algo que, dependendo da reação do público, pode mudar o jogo. Um exemplo claro desta nova realidade é o recém-lançado OPPO Find X9 Ultra, que chega ao nosso mercado a custar 1699€. Curiosamente, este modelo aparece com menos memória RAM (12GB) do que alguns concorrentes diretos e até mais baratos, como é o caso do Xiaomi 17 Ultra que já oferece 16GB.
No entanto, a estratégia aqui passa por tentar justificar o acréscimo de preço com outros trunfos. Mais concretamente, uma bateria gigantesca e um módulo de câmaras desenhado para colocar qualquer “totó” a tirar fotos quase inacreditáveis. Porque sim, o smartphone é de facto quase inacreditável neste aspeto.
Mas… A capacidade fotográfica absurda justifica o preço?
Ou seja, numa altura em que tudo anda a encarecer devido a tarifas, inflação, preços logísticos e loucura no lado da RAM, tentar fazer algo melhor, ou pura e simplesmente diferente, é uma aventura muito cara no mercado global.
Por isso, agora que a barreira foi ultrapassada pela primeira vez, a questão que fica no ar em 2026 é se tirar fotos de nível profissional é o argumento suficiente para fazer o consumidor comum ignorar a ficha técnica pura e abrir os cordões à bolsa. A OPPO acredita que sim, focando-se na experiência visual e na autonomia, enquanto outras marcas continuam a apostar na força bruta dos números.
É uma pergunta muito complicada de ser respondida, porque nós já tivemos a oportunidade de testar o aparelho, e é de facto um absurdo de smartphone nos dois campos em que a fabricante mais apostou. Ou seja, vou dizer que vai sempre depender do consumidor. Porque a questão é exatamente esta: não sabemos ainda como é que o público vai reagir a estes novos patamares de preço. Mas é inegável que o jogo está a mudar. Só o tempo o dirá.
Será que os preços ainda mais altos vão dar um pontapé no ecossistema?
Ou seja, se estes preços forem bem aceites, vai dar espaço às fabricantes para inovar e, claro, aquelas que não o fizerem podem ser prontamente castigadas. Ou seja, um S27 Ultra ou iPhone 18 Pro Max, iguais aos antecessores, não podem custar mais 200€ de um ano para o outro.
Mas, se o S27 Ultra ou o iPhone 18 Pro Max quebrarem barreiras no lado do hardware, de forma a trazer novas experiências de utilização, isso já poderá fazer algum sentido na cabeça dos consumidores.
Por enquanto, agora que isto está a começar, acredito que vamos ver uma divisão cada vez maior entre os smartphones “de topo” tradicionais e estas novas máquinas de luxo tecnológico. Até porque podes tirar o cavalinho da chuva se achas que os preços vão baixar tão cedo. A questão agora é saber se estás disposto a pagar o bilhete para entrar nesta nova era. Ou se os 1499€ continuam a ser o teu limite intransponível.
Diz-me tu!









