Trade Republic quer apoio ao cliente com humanos. Isto é notícia, porque vai completamente contra a corrente dos dias que correm.
Ou seja, durante alguns anos, o setor fintech vendeu uma ideia muito simples. Tudo mais rápido, tudo mais barato, tudo mais digital. O que, por sua vez, significa menos humanos e mais assistentes virtuais.
Mas… Vamos ser muito honestos. Quando algo corre mal, ninguém quer falar com um bot. Ninguém quer um FAQ disfarçado de assistente. No final do dia, ninguém quer andar em círculos dentro de uma app quando tem dinheiro preso, transferências pendentes ou dúvidas fiscais.
É precisamente por isso que a nova aposta da Trade Republic faz tanto sentido.
Até uma fintech já percebeu que há problemas que exigem pessoas
A Trade Republic anunciou uma nova fase para o apoio ao cliente, com suporte humano 24 horas por dia, 7 dias por semana, diretamente na aplicação. Ou seja, em vez de empurrar tudo para a automação e esperar que o cliente se desenrasque, a plataforma quer agora meter pessoas reais do outro lado.
Isto pode parecer um detalhe. Mas não é, e até pode chamar algumas pessoas para o seu lado.
O mais engraçado é que isto soa revolucionário… mas não devia!
Há aqui uma ironia gira. Se alguém lesse uma headline destas há 10 anos, provavelmente achava ridículo. “Uma empresa aposta em apoio ao cliente com humanos.” Como se isso fosse novidade.
Mas em 2026 é mesmo.
Porque o mercado habituou-se a cortar em tudo o que mete pessoas pelo meio. Primeiro vieram os chats automáticos. Depois os loops infinitos de respostas pré-feitas. Depois veio a ideia de que uma app bem desenhada substitui qualquer equipa de apoio. E a verdade é que não substitui.
O problema nunca foi a tecnologia. Foi a obsessão em usar tecnologia, que ainda está a crescer, para tudo.
Há uma verdade muito simples no meio disto tudo. Quando o serviço mexe com dinheiro, apoio humano não devia ser diferencial. Devia ser obrigatório.
Quando mais empresas perceberem isto, o jogo volta a mudar, curiosamente a favor do lado humano da coisa.
Em suma, se esta mudança for real e consistente, é uma das melhores decisões que a empresa podia tomar. Porque no mundo financeiro, falar com uma pessoa continua a valer mais do que qualquer IA com resposta simpática.









