Durante anos, a conversa foi sempre a mesma. O futuro do automóvel era elétrico, tendo por base uma bateria de lítio, ponto final. Quem ficasse pelo caminho, ficava para trás. Mas a verdade é que o mercado está a complicar-se, e há cada vez mais fabricantes a olhar para outras soluções, não para substituir os elétricos, mas para tentar resolver alguns dos seus maiores problemas.
A Geely é uma dessas marcas.
A Geely acha que os elétricos a bateria estão a ficar demasiado pesados, e tem razão.
No mais recente fórum chinês dedicado ao desenvolvimento do automóvel elétrico inteligente, Li Shufu, presidente da Geely, voltou a puxar pela narrativa do metanol. A ideia aqui é bastante simples. Um veículo elétrico com bateria de lítio pode pesar o dobro de um veículo comparável movido a metanol.
Pode parecer estranho, mas ajuda a perceber onde a Geely quer atacar. Não está a dizer que o carro elétrico morreu. Está a dizer que há problemas reais no modelo atual, especialmente quando se fala de peso, custo, eficiência e transporte pesado.
O metanol não aparece aqui por acaso
Muita gente vai olhar para isto como se fosse apenas mais uma provocação contra os elétricos. Não é bem assim. A Geely anda a trabalhar com metanol há mais de duas décadas, e a própria China tem vindo a abrir espaço político e industrial para esta tecnologia.
Isto não é uma ideia tirada da cartola para fazer barulho num evento. É uma aposta antiga, que agora ganha novo fôlego num momento em que a indústria percebeu que talvez não seja boa ideia meter todos os ovos no mesmo cesto.
O argumento é simples: mais densidade energética e… menos peso!
A lógica da Geely é esta. O metanol tem uma densidade energética muito superior à das baterias de iões de lítio. Segundo Li Shufu, mais de dez vezes superior. Se isso se traduzir em aplicações bem feitas, a marca acredita que consegue oferecer capacidade de transporte semelhante com muito menos peso total.
Porque peso a mais num veículo não é só uma questão de números na ficha técnica. É consumo, desgaste, travagem, pneus, estrutura e eficiência geral. Tudo isso piora quando se anda a arrastar baterias gigantes para todo o lado.
A Geely não quer matar o elétrico. Quer abrir outra frente!
Este ponto é importante. A Geely não está a abandonar os elétricos a bateria. Nem pouco mais ou menos. A marca continua muito investida em híbridos plug-in, elétricos puros e toda a lógica de nova energia que hoje domina o mercado chinês.
Mas… Talvez o futuro não seja uma solução única. Talvez existam segmentos onde a bateria faz todo o sentido, e outros onde o metanol, o hidrogénio ou outra alternativa acaba por ser mais racional.
É algo que faz todo o sentido, e que de facto tem sido a estratégia da Toyota ao longo dos últimos 10 ou 20 anos. Nem todos os condutores podem, ou querem, ter um elétrico. É preciso perceber isso.










