A Samsung está a deixar muita gente irritada com a nova OLED S90H. O motivo? Muito simples. Em vez de continuar a brincar ao sorteio de painéis, onde nunca se sabe bem o que vai calhar, a marca parece pronta para apostar apenas em WOLED na sua OLED de gama média para 2026.
À primeira vista, parece uma despromoção, e para muitos é de facto. Mas a verdade é que a história pode não ser assim tão simples.
O problema não é a mudança?
Quem acompanha este mercado já sabe do que estamos a falar. Nos últimos anos, comprar uma Samsung S90 era quase um jogo de sorte. Em alguns tamanhos e em algumas regiões, podias apanhar um painel QD-OLED. Noutros casos, saía WOLED. Por alguma razão, a Samsung nunca foi propriamente transparente com isto.
Ora, apesar de não ser o fim do mundo, é ridículo. Especialmente quando estamos a falar de televisões que, apesar de não serem topo de gama absoluto, continuam a custar bom dinheiro. Por isso, seria normal pensar que o consumidor saberia o que ia ter em casa depois de ter posto o seu dinheiro em cima da mesa.
QD-OLED sempre foi o painel mais apetecível, claro.
O QD-OLED ganhou fama por algumas razões importantes. Mais brilho, cores mais vibrantes, melhor cobertura de cor HDR e uma sensação geral de painel especial.
Foi exatamente isso que tornou modelos como a S90C tão interessantes. A Samsung conseguiu pôr uma tecnologia mais avançada num segmento onde a relação qualidade preço parecia quase boa demais para ser verdade.
O problema é que o mercado muda, e o custo de produção também pesa.
Porquê a mudança?
É aqui que a decisão da Samsung começa a fazer mais sentido.
As primeiras medições ao novo painel WOLED da LG, aquele que serve de base à C6, mostram um salto importante no brilho. Já não estamos a falar daquele WOLED claramente atrás do QD-OLED, como acontecia há alguns anos.
Assim, se o WOLED de gama média já anda muito perto daquilo que um QD-OLED de gama média entregava, a Samsung começa a ter uma pergunta muito simples em cima da mesa. Vale a pena continuar a pagar mais por um painel mais caro, mais raro e mais confuso para o consumidor?
Provavelmente não.
Assim, a Samsung pode estar a trocar um ganho pequeno por uma dor de cabeça muito menor
No fundo, é isso. Se a S90H conseguir entregar brilho muito parecido ao da geração anterior, com uma linha mais consistente e sem lotaria de painéis, então a marca resolve vários problemas de uma vez.
Ainda assim, o QD-OLED não é melhor?
Claro que isto não significa que os dois painéis sejam iguais. Não são.
O QD-OLED continua a ter vantagem onde mais brilhou desde o início, na cor. Especialmente quando falamos de cobertura mais ampla de espaços de cor HDR. É aí que a tecnologia da Samsung Display continua a mostrar porque chamou tanta atenção.
Portanto, quem quer mesmo o melhor desempenho possível no lado da cor mais agressiva e mais rica, vai continuar a olhar para o QD-OLED como algo especial.
Há outro detalhe…
O ecrã mate.
Muita gente continua a não gostar desta aposta porque sente que ela ajuda nos reflexos, sim, mas também mexe demasiado na forma como os pretos são percebidos em certas condições.
Uma coisa é melhorar a televisão para salas muito iluminadas. Outra é fazer isso à custa daquela profundidade que tanta gente procura numa OLED.
Por isso, a S90H acaba por estar debaixo de fogo por duas razões ao mesmo tempo. WOLED em vez de QD-OLED, e acabamento mate num produto onde nem toda a gente quer esse compromisso.








