Houve uma altura em que entrar numa loja de eletrónica era quase sempre levar com a mesma conversa. A TV curva era o futuro, era mais imersiva, mais premium, mais cinematográfica, mais tudo. Parecia que as marcas tinham finalmente encontrado uma forma de fazer uma televisão parecer diferente sem ter de reinventar grande coisa.
O problema é que, no mundo real, a ideia nunca foi assim tão boa. O formato desapareceu das lojas e, de facto, até no mundo dos monitores o formato é cada vez mais raro.
A promessa era boa, e até visualmente apelativa. A realidade nem por isso
No papel, as TVs curvas até faziam algum sentido.
Ou seja, se estivesses mesmo em frente ao ecrã, bem colocado no sítio certo, a curvatura podia dar uma sensação mais envolvente. A imagem parecia abraçar um pouco mais o campo de visão, e isso criava logo aquela ilusão de produto mais avançado.
O problema é que uma televisão não vive no papel. Vive na sala. Onde estão várias pessoas, com ângulos diferentes. Isto significaria que apenas uma pessoa conseguia ver TV com qualidade máxima. O resto? Bem… azar.
Ora, isto numa televisão é simplesmente um problema enorme. Porque uma TV foi feita para ser vista por mais do que uma pessoa. Foi feita para a sala, para a família, para amigos, para uso descontraído. Não foi feita para obrigar toda a gente a sentar-se num trono central para ter a experiência certa.
Em suma, uma televisão não pode ser egoísta
Mas, curiosamente, os ecrãs curvos não morreram. Só saíram da sala
O mais curioso no meio disto tudo é que a tecnologia não desapareceu por completo. Apenas encontrou um sítio onde realmente faz mais sentido. A secretária.
Nos monitores, especialmente nos ultrawide, a curvatura continua a ser útil. E aqui sim, a lógica muda bastante. Estamos a falar de um utilizador sentado em frente ao ecrã, numa posição mais fixa, a pouca distância, durante horas. Nesse cenário, a curvatura ajuda mesmo a envolver melhor o campo de visão e até pode tornar o uso mais confortável.
Ou seja, aquilo que falhou numa televisão pode resultar muito melhor num monitor gaming ou de produtividade.
Ainda assim, a realidade é que até na secretária a curvatura já não é aquilo que foi. Ainda existem muitos monitores curvos. Mas, como são mais caros e o ganho de qualidade visual é mínimo, os consumidores costumam preferir modelos mais planos.
Os monitores curvos ganham mais adeptos no gaming, especialmente no lado dos simuladores de corridas.









