A partir de sexta-feira, comprar uma lata ou uma garrafa de plástico vai passar a custar mais 10 cêntimos. Mas, em teoria não é um aumento puro e duro. É um depósito reembolsável, o que significa que o valor pode voltar para o teu bolso se entregares a embalagem num ponto de recolha.
É um sistema que já existe em outros países Europeus, como é o caso da Alemanha.
Porquê a sua implementação por cá? Simples. No papel, a ideia faz sentido. Quem recicla, recebe. Quem não recicla, perde o dinheiro. Aliás, quem for buscar garrafas perdidas no chão das nossas ruas, também recebe.
O velho conceito da tara está de volta, mas agora com plástico e latas!
Quem tem alguma memória de cafés antigos, ou quem ouviu histórias dos pais e avós, lembra-se bem da velha tara nas garrafas de vidro. Pagavas mais um bocadinho, devolvias a garrafa, recebias o dinheiro de volta. Era simples, direto e toda a gente percebia como funcionava.
Agora a ideia regressa, mas adaptada aos tempos modernos. O vidro fica de fora, pelo menos para já, e entram apenas as garrafas de plástico e as latas. Cada unidade passa a ter um depósito de 10 cêntimos, que depois pode ser devolvido ao consumidor nos pontos de recolha.
Ou seja, a lógica é a mesma. A embalagem tem valor. E esse valor só volta para ti se a fores entregar.
Na prática, sim… Vais pagar mais no momento da compra.
É aqui que muita gente vai torcer o nariz. Porque, mesmo sendo reembolsável, a verdade é esta. Quando fores às compras, vais pagar mais.
No fim do dia, se levares um pack de bebidas, a diferença já se vai notar. Um pack de 6 latas vão ser mais 60 cêntimos. Se fizeres compras maiores para casa, ainda mais. E num país onde toda a gente já anda a contar tostões ao fim do mês, qualquer valor extra, mesmo que temporário, começa logo a irritar.
Depois há outra questão. O dinheiro só volta se o sistema funcionar bem e se for simples de usar.
Ou seja, se houver máquinas a menos, filas a mais, supermercados sem grande paciência para isto, ou processos demasiado chatos para devolver meia dúzia de embalagens, muita gente vai desistir. E aí o que era suposto ser um incentivo ecológico passa a parecer apenas mais uma complicação no dia a dia.
O sistema quer empurrar Portugal para números mais sérios na reciclagem
O objetivo do sistema, batizado de “Volta“, é bastante claro. Aumentar a recolha seletiva destas embalagens e ajudar Portugal a aproximar-se de metas bem mais ambiciosas. A conversa já não é só reciclar por reciclar. É transformar a embalagem em algo com valor económico imediato para o consumidor.
Aliás, percebe-se bem a lógica do Governo. Se o apelo moral não chega, então talvez um incentivo direto em dinheiro faça o trabalho.









