Durante muito tempo, a ideia de correr jogos Windows num telemóvel Android parecia daquelas coisas feitas só para vídeos de YouTube e pouco mais. Um autêntico absurdo, porque a tecnologia ainda não estava nesse ponto, apesar de os processadores atuais já serem capazes de impor respeito.
Pois bem, a coisa está a mudar depressa. Já há smartphones Android capazes de correr jogos de PC localmente, sem streaming, sem cloud, e sem um computador por perto.
É impressionante? Sim. Faz sentido? Aí a conversa já muda um bocadinho.
O telemóvel já não quer ser só telemóvel
Portanto, o exemplo mais recente vem do Red Magic 11 Golden Saga, um smartphone gaming que pega na receita do exagero e a leva ao limite. Muito hardware, muita refrigeração, e claro, muita bateria. Tudo para tentar transformar um telemóvel numa espécie de mini-PC gaming de bolso.
E a parte mais curiosa é que a coisa até funciona melhor do que muita gente pensaria. Há jogos Windows a correr diretamente no Android via emulação x86, com níveis de performance que, há não muito tempo, pareciam impossíveis num simples telemóvel.
Ou seja, o hardware mobile ficou tão forte que já começa a meter o nariz em territórios que antes pertenciam apenas a PCs e consolas portáteis mais tradicionais.
É impressionante. Mas também é um bocadinho absurdo!
Há algo de fascinante em ver um smartphone a correr jogos como GTA V, Cyberpunk 2077 ou Red Dead Redemption 2 sem estar a receber imagem de outro lado. Está ali, a fazer tudo sozinho, com um chip mobile que não foi pensado para nada daquilo.
Mas, convém dizer isto. Quando um telemóvel precisa de puxar 30W, 40W ou mais para fazer este tipo de magia, então já não estamos a falar de um smartphone normal. Estamos a falar de uma pequena besta de bolso, quase uma consola portátil disfarçada de telemóvel.
Aliás, as atuais consolas portáteis não chegam aos 30W ou 40W. É uma loucura. Nenhuma bateria aguentava isto de forma consistente.
O verdadeiro salto não está só na performance. Está na emulação!
O mais interessante nesta história nem é apenas o músculo bruto do Snapdragon. É perceber até que ponto a emulação já evoluiu no Android. Porque não basta ter potência. É preciso conseguir traduzir jogos e instruções pensadas para outro mundo, outra arquitetura e outro tipo de hardware.
Claro que ainda há falhas. Nem todos os jogos correm bem, nem todos os efeitos gráficos aparecem como deviam, e há títulos com bugs visuais que mostram logo que isto ainda está longe da perfeição. Mas já não estamos no tempo em que correr um jogo Windows num Android era só abrir um menu e ver tudo explodir.
Agora já há performance real.
No fundo, isto é o futuro.
Eu acredito que, num futuro que já não está assim tão longe quanto isso, a grande maioria das pessoas vai usar o smartphone como computador principal. Andam com ele no bolso, e quando chegam a casa, ligam-no a uma doca que, por sua vez, está ligada a um monitor, um rato e um teclado. Fazer tudo no smartphone. A performance está lá!
Aliás, isto acaba por fazer todo o sentido numa altura em que a tecnologia está a encarecer de forma absurda. Por isso, nada melhor do que aproveitar o que já temos no bolso, que, claro está, chega perfeitamente para o gasto.
De facto, já temos uma prova disso. O MacBook Neo da Apple usa uma versão menos poderosa do SoC que dá vida ao iPhone 16 Pro.









