Nós já tínhamos tido a chance de experimentar os novos Xpeng G6 e G9, na apresentação nacional há alguns meses atrás em Lisboa. Dois carros que prometem muita tecnologia, baterias com boa autonomia, e uma qualidade de construção que muitos ainda pensam ser impossível de ter via um carro chinês.
Pois bem, o G6 é um senhor carro! Sim, não é uma máquina extremamente dinâmica, é raro o elétrico que o é, e está longe de ser perfeita, basta olhar para os menus cheios de erros de tradução. Mas, em impacto visual, conforto na prática da condução, e tecnologia que dá vida à bateria… Estamos num nível altíssimo.
Xpeng G6 (2026): Chinês? Sim. Mas isso significa o quê em 2026?
Portanto, a Xpeng não quis esperar muito tempo para mexer no G6, o que pode parecer estranho. O SUV elétrico chegou a vários mercados europeus há pouco tempo, mas já recebeu uma atualização séria. Isto levanta logo uma questão. O carro precisava mesmo de ser corrigido à pressa, ou estamos apenas a olhar para uma marca chinesa que evolui a um ritmo que os fabricantes tradicionais já não conseguem acompanhar?
A resposta parece estar algures no meio, mas com uma conclusão muito simples. O Xpeng G6 está melhor, está mais competente, e começa cada vez mais a parecer uma alternativa real e muito perigosa para aquilo que a Tesla tem para oferecer. De facto, não é só a Tesla. Este Xpeng G6 é um carro que vai ter um bom impacto no mercado.
O G6 não mudou muito por fora. Mas mudou o suficiente no geral.

Visualmente, a atualização não vem reinventar o carro. Continua a ser um SUV coupé relativamente discreto, até algo anónimo, sem grandes excessos de personalidade. Não é um carro que entre pelos olhos e grite irreverência. De facto, nem tenta ser agressivo como alguns rivais chineses. Mas, toda a gente sabe que é um Xpeng, e isso é de facto curioso para uma marca ainda tão recente no nosso mercado.
Há pequenos retoques na frente, novas afinações na zona traseira e uma imagem mais arrumada no geral. A grande evolução está no resto.
O interior ficou melhor. Parece um carro mais caro. (E os Xpeng nem são carros baratos!)
É no habitáculo que este facelift começa realmente a justificar a sua existência. A Xpeng mexeu em materiais, melhorou alguns pontos de contacto, afinou detalhes no tablier e deu ao G6 um ambiente mais convincente.
O resultado é um interior mais maduro, mais sólido e mais próximo daquilo que já se exige de um elétrico que quer jogar no campeonato dos nomes grandes. Continua a ser um carro muito dependente do ecrã, claro, mas o sistema está mais polido, mais rápido e mais fácil de usar.
Isto também se nota no conforto. Sentas-te ao volante deste G6, e pensas imediatamente que vais ter massagens, e de facto vais mesmo!
O carregamento é um dos seus maiores argumentos
Se há coisa que continua a dar nas vistas neste G6 é a arquitetura elétrica. A base de 800V continua a colocar o SUV chinês numa posição muito interessante no papel, especialmente no que toca a carregamento rápido.
A Xpeng fala em picos absurdamente elevados e em tempos de carregamento que, em condições ideais, parecem quase irreais. Na prática, a rede pública europeia ainda não está ao nível do carro, e isso limita logo parte do brilho da ficha técnica.
Mas, vais ter sempre carregamentos rápidos, e consistentes, desde que encontres um carregador capaz de oferecer uma experiência desse tipo.
No fim do dia, o G6 já está preparado para uma infraestrutura melhor do que a que temos hoje. E isso dá-lhe margem para envelhecer melhor do que alguns rivais que já nascem mais limitados.
Em estrada, é bom. Mas dinâmica não é com ele. Não é um carro para entusiasmar quem gosta mesmo de conduzir.
Ao volante, o G6 deixa uma impressão positiva. Não porque seja particularmente emocionante, mas porque parece um produto bem afinado e mais maduro do que muita gente esperaria de uma marca ainda jovem.
A direção é leve, precisa q.b., mas claro, pouco comunicativa. O carro é estável, previsível e fácil de conduzir. Também é veloz. Mas não mais veloz que qualquer outro SUV elétrico com uma mão cheia de cavalos ao seu dispor.
Aliás, um dos elogios mais importantes que se pode fazer ao G6 é este. Não irrita. Pode parecer pouco, mas não é. Há muito carro elétrico moderno cheio de tecnologia que consegue ser cansativo ao fim de meia hora. O Xpeng, felizmente, não cai muito nessa armadilha.
Então afinal, é melhor do que o Tesla Model Y?
Esta é a pergunta que interessa. E a resposta mais honesta é esta. São carros diferentes.
O Tesla continua a ter a vantagem brutal do ecossistema de carregamento, da maturidade da rede e da imagem de marca. Isso pesa muito, especialmente para quem faz muitos quilómetros ou quer a vida o mais simplificada possível.
Mas o G6 tem argumentos muito sérios. O interior está mais quente, mais acolhedor e menos chinês. Parece um carro ocidental, quase alemão. Além disso, a experiência parece mais confortável. O carro é menos nervoso. E no uso do dia a dia até pode ser mais fácil de viver do que o Model Y.
Conclusão
O Xpeng G6 2026 não é uma revolução, mas é exatamente o tipo de atualização que interessa. Melhorou onde precisava, afinou detalhes importantes, e transformou-se num produto mais coeso, mais convincente e mais preparado para atacar o segmento com ambição real.
Não é o SUV elétrico mais divertido para conduzir, nem o mais carismático para olhar. Mas é muito competente, muito tecnológico, rápido a carregar e cada vez mais fácil de recomendar.
Em suma, é um belo carro.










