Se não te lembras, tens de ir fazer umas pesquisas. Existiu de facto um carro desenvolvida pelas mãos da Honda e da Sony, o Afeela. Ou seja, durante algum tempo, este automómvel parecia uma daquelas ideias modernas que fazem muito barulho na internet, e que podia de facto ser interessante para o mercado.
Um carro elétrico com ADN Sony, feito com a Honda, cheio de ecrãs, tecnologia, sensores e até com conversa à volta do ecossistema PlayStation. Parecia futurista. Parecia diferente. Ou seja, parecia o tipo de produto que ia chamar atenção mesmo antes de chegar à estrada.
O problema é que chamar atenção nunca foi suficiente para fazer sentido.
Afeela morreu. E a verdade é que já havia sinais de mais.
Portanto, o projeto foi cancelado antes de arrancar a sério, e a leitura mais fácil é culpar a Honda. Afinal, a marca japonesa anda a rever a sua estratégia elétrica, está pressionada, e percebeu tarde demais que o mercado mudou.
Mas reduzir tudo a uma simples decisão interna da Honda também é curto. O Afeela morreu porque apareceu num momento péssimo, com um posicionamento estranho e uma proposta que parecia mais impressionada consigo própria do que verdadeiramente alinhada com aquilo que o mercado quer comprar.
O problema começou no preço e nunca mais acabou
Há produtos premium. E depois há produtos que parecem ter sido pensados sem qualquer noção do mundo real.
O Afeela estava demasiado perto desta segunda categoria.
Num mercado de elétricos cada vez mais competitivo, com marcas chinesas a esmagar preços, Tesla a continuar forte em imagem e ecossistema (e curiosamente também preço), bem como vários fabricantes tradicionais a tentar perceber como é que conseguem ganhar dinheiro neste segmento, aparecer com um carro caríssimo e cheio de promessas tecnológicas era sempre uma jogada arriscada.
O consumidor pode até achar piada à ideia de jogar PlayStation dentro do carro. O problema é outro. Antes de pensar nisso, quer saber quanto custa, quanto anda, como carrega, quanto desvaloriza e se aquilo faz sentido face à concorrência.








